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Obama pede objetividade e participação nas eleições para 'mudanças reais'

Ex-presidente fez reflexões de como protestos pela morte de George Floyd podem impactar o futuro - Charles Rex Arbogast/AP Photo
Ex-presidente fez reflexões de como protestos pela morte de George Floyd podem impactar o futuro Imagem: Charles Rex Arbogast/AP Photo

Do UOL, em São Paulo

01/06/2020 16h32

Na esteira dos protestos pela morte de George Floyd, o ex-presidente americano Barack Obama voltou a se manifestar hoje e deu sua visão sobre como o momento pode ser transformado em "mudanças reais". Floyd, um homem negro de 46 anos, foi morto na última segunda-feira (25) em Minneapolis, após ser asfixiado por um policial branco que permaneceu com o joelho sobre sua cabeça por minutos.

"O ponto chave é: se queremos fazer mudanças reais, então a escolha não é entre protesto e política. Temos que fazer as duas coisas", disse Obama em um texto publicado na plataforma Medium. Na última sexta-feira (29), o ex-presidente já havia comentado que casos como o de Floyd não deveriam ser "normais" em 2020.

"O objetivo dos protestos é atrair a atenção da opinião pública, destacar as injustiças e tornar os poderes desconfortáveis", escreveu Obama. "Mas às vezes aspirações precisam ser traduzidas em leis específicas e práticas institucionais. E na democracia isso só acontece quando elegemos políticos que são responsáveis pelas nossas demandas."

No texto, Obama defende uma reforma na polícia e a participação maior nas próximas eleições, já que nos Estados Unidos o voto não é obrigatório. Presidente americano de 2009 a 2017, ele cobrou que as pessoas votem não só para presidente e governadores, mas também para prefeito e outros cargos de administração locais.

"Temos que nos mobilizar para aumentar a conscientização, e temos que nos organizar e votar para garantir que que vamos eleger candidatos que farão reformas", afirmou, voltando a cobrar que os líderes dos protestos que se espalharam pelo país nos últimos dias possam deixar claras as suas demandas.

"Quanto mais específicos possamos ser para exigir demandas de justiça criminal e reforma da polícia, mais difícil será para as autoridades eleitas fazerem apenas um elogio à causa e depois voltarem aos negócios como de costume, assim que os protestos tenham acabado", escreveu o ex-presidente.

Obama ainda admitiu que os últimos meses foram "difíceis e desanimadores", lembrando a pandemia do coronavírus que já matou mais de 100 mil pessoas nos Estados Unidos, mas que se mantém "esperançoso" sobre o futuro diante das manifestações que acontecem após a morte de George Floyd.

"Se, daqui para frente, conseguirmos canalizar nossa raiva justificável em ações pacíficas, duradouras e efetivas, então esse momento pode ser um verdadeiro ponto de virada", concluiu Obama.

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