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Prefeito de Seul é encontrado morto após ser denunciado por ex-secretária

Do UOL, em São Paulo

09/07/2020 13h01Atualizada em 09/07/2020 20h09

O prefeito de Seul, Park Won-soon, 64 anos, foi encontrado morto hoje, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap. O policial Choi Ik-su confirmou que o corpo foi localizado por cães de resgate perto de um restaurante no Monte Bugak, no norte de Seul, onde o sinal de seu celular foi detectado pela última vez.

De acordo com o policial, uma ex-secretária apresentou denúncia contra Park na quarta-feira, junto à polícia, por supostos atos de agressão sexual que teriam ocorrido desde 2017 — como contato físico sem consentimento. Porém, ainda não se sabe se o caso tem relação com a morte.

A polícia local não revelou em que condições o corpo do prefeito está, mas alega que não havia sinal de crime. A busca durou sete horas e terminou em uma área florestal e montanhosa próxima de Seul. Segundo a CNN norte-americana, o local fica perto da residência oficial dele em Jongno-gu.

A filha do prefeito informou as autoridades sobre o desaparecimento hoje, dizendo que ele fez comentários "como se estivesse entregando um testamento" antes de sair. Segundo ela, o celular do pai estava desligado.

As informações chocaram grande parte da Coreia do Sul por um motivo: Park Won-soon era conhecido como um ativista dos direitos das mulheres e foi entusiasta da campanha "Me Too", que fortaleceu denúncias de mulheres contra assediadores e agressores sexuais no mundo todo.

Entretanto, ele não é o primeiro nome liberal do Partido Democrático a ter o nome envolvido em denúncias deste tipo; estes escândalos de crimes sexuais têm abalado o país nos últimos anos.

Em abril de 2020, Oh Keo-don, então prefeito de Busan (segunda maior cidade da Coreia do Sul), renunciou ao cargo após ser acusado de assediar sexualmente uma funcionária no gabinete.

Em 2018, Ahn Hee-jung, que também era estrela do Partido Democrático do presidente Moon, deixou o governo da província de Chungcheong da Sul depois de sua secretária acusá-lo na televisão de repetidos casos de abuso sexual. Ele foi condenado a três anos e meio de prisão.

5.jun.2014 - O prefeito de Seul (Coreia do Sul), Park Won-sun, comemora vitória nas eleições - Lee Jin-man/AP Photo - Lee Jin-man/AP Photo
Park Won-soon estava no cargo desde 2011 e era visto como candidato para substituir o presidente Moon Jae-in
Imagem: Lee Jin-man/AP Photo

Apesar das suspeitas que surgem após a denúncia de assédio sexual, a polícia informou que não havia algo parecido com uma carta de suicídio na casa ou perto do corpo de Park, e os pertences do prefeito estavam próximos. Por outro lado, também não havia sinal de crime.

As buscas da polícia pelo corpo de Park mobilizaram mais de 500 policiais e equipes de resgate, drones e cães farejadores.

Depois de cancelar toda a sua agenda para o dia, ele foi filmado por câmeras de segurança perto de um parque na cidade às 10h53 (horário local), enquanto seu desaparecimento foi reportado às 17h17, informaram as autoridades sul-coreanas.

No cargo desde 2011, Won-soon era visto como um candidato para substituir o presidente Moon Jae-in quando seu mandato de cinco anos terminar. Ambos são membros do Partido Democrata.

Sua eleição como prefeito de Seul foi vista no país como um sinal de que os sul-coreanos estariam "cansados" da chamada "política tradicional"; seu mandato se encerraria em 2022.

Antes de entrar na política, ele atuou como advogado de direitos civis em casos históricos e conseguiu a primeira condenação por assédio sexual na Coreia do Sul. Nos últimos meses, ele esteve na vanguarda da batalha do país contra o coronavírus.

* Com informações da AFP

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