PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Ponte de tragédia na Itália reabre hoje, após teste com 56 caminhões

Do UOL, em São Paulo

03/08/2020 10h09

Autoridades italianas reabrem hoje a ponte de Gênova que desabou e causou 43 mortes em 2018. A estrutura foi basicamente reconstruída e deu lugar a uma nova. Um teste com 56 caminhões passando por cima da obra marcou o fim dos protocolos de segurança, em julho.

Uma cerimônia será realizada no fim da tarde, com o presidente italiano Sergio Mattarella como o primeiro a atravessar a Ponte Genova San Giorgio reaberta, de carro.

No dia 22 de julho, as autoridades divulgaram imagens de um teste com 56 caminhões passando simultaneamente pela ponte, para comprovar sua sustentação. As estruturas que haviam sobrado do desabamento foram implodidos e a obra foi feita com rapidez, em cerca de 15 meses.

O evento de hoje não deve ter a presença de familiares das vítimas da tragédia, que comemoram a reinauguração em uma forma celebratória.

"Não iremos à cerimônia porque, para nós, é muito difícil estar ali naquela ponte, mas não quero criar polêmica, nós nunca dissemos que iríamos", disse Egle Possetti, presidente de um comitê que reúne parentes de mortos no desabamento, à rádio Capital.

Possetti perdeu a irmã, o cunhado e dois sobrinhos no desabamento da Ponte Morandi, ocorrido em 14 de agosto de 2018.

A antiga estrutura havia sido inaugurada em 1967 e consistia em uma ponte estaiada, mas com as vias suspensas por cabos de concreto, e não de aço, como é mais comum.

A investigação sobre a tragédia ainda está aberta, mas a suspeita é de que a construção tenha entrado em colapso devido a uma falha estrutural por falta de manutenção. A via estava sob concessão da Autostrade per l'Italia (Aspi), empresa controlada pela holding Atlantia, da família Benetton.

Recentemente, o governo da Itália anunciou que o Estado substituirá a Benetton no capital da Aspi, que, ao menos por enquanto, também terá a concessão da nova ponte.

Cerimônia

A inauguração da Ponte Genova San Giorgio ainda contará com as presenças do primeiro-ministro Giuseppe Conte, do presidente da Câmara dos Deputados, Roberto Fico, do governador da Ligúria, Giovanni Toti, e do prefeito Marco Bucci.

"O primeiro pensamento hoje vai para quem não está mais aqui, para suas famílias, que esperam justiça. Aquela ponte não devia ter caído, e alguém terá de pagar. É por isso que não teremos festa hoje, mas resta a satisfação pelo objetivo alcançado", disse Toti.

A cerimônia terá a leitura dos nomes das 43 vítimas e três minutos de silêncio em homenagem aos mortos. A nova ponte foi projetada pelo arquiteto e senador vitalício Renzo Piano e tem cerca de 1,1 quilômetro de extensão, dividido entre 19 tabuleiros situados a mais de 40 metros de altura e sustentados por 18 pilares.

A obra, executada pelo consórcio público-privado PerGenova ao custo de 200 milhões de euros, teve início em fevereiro de 2019, com a demolição da estrutura remanescente da Ponte Morandi. A abertura ao tráfego será no dia 5 de agosto. (ANSA).

*Com informações da Ansa

Internacional