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Buscas em Miami: Testemunha relata estalos um dia antes de desabamento

Área do desabamento de prédio é isolada pela polícia em Miami - REUTERS/Marco Bello
Área do desabamento de prédio é isolada pela polícia em Miami Imagem: REUTERS/Marco Bello

Do UOL, em São Paulo

24/06/2021 22h08Atualizada em 24/06/2021 22h08

Jeff Pias, de 60 anos, estava hospedado em um hotel vizinho ao prédio que desabou na madrugada de hoje em Miami, na Flórida. Em entrevista ao site USA Today, ele contou que ouviu o que pareceu um "enorme tornado", seguido de uma nuvem de poeira.

O homem foi uma das pessoas a descrever um ambiente tomado por silêncio logo após a tragédia. Segundo ele, demorou cerca de 15 segundos para que os primeiros gritos de socorro aparecessem.

"Do nada as pessoas começaram a gritar por ajuda", contou ele à mídia norte-americana. "Eu podia ver pessoas nas varandas gritando: 'me ajude'", completou ele, mencionando os moradores que ficaram presos na parte intacta da construção.

Homem diz que mãe ouviu estalos 1 dia antes

Em outro testemunho, um homem identificado como Pablo Rodriguez afirmou que a mãe, moradora do prédio que desabou, ligou para ele um dia antes para relatar "rangidos".

Ela e a avó do rapaz estão entre os 99 desaparecidos.

"Ela me contou que tinha acordado entre 3 e 4 horas da manhã e ouviu alguns rangidos", contou ele à CNN norte-americana. "Eles eram altos o suficiente para acordá-la", completou.

O homem lamentou ainda que conforme o tempo passa a esperança de encontrar as duas mulheres vivas diminui.

Nas últimas horas, o Corpo de Bombeiros da Flórida vem trabalhando em turnos de 15 minutos, revezando entre si, já que, de acordo com as autoridades, carregam cerca de 36 quilos de equipamento.

Sobrevivente comparou situação com guerra

Moshe Candiotti, de 67 anos, contou ao site USA Today que ao sentir o prédio tremendo decidiu sair imediatamente do local.

Enquanto descia correndo pelas escadas, ele parou apenas para ajudar uma idosa que estava agarrada ao corrimão de uma escada em meio ao tremor. O homem, que nasceu em Israel e vive há 40 anos em Miami, disse que o choque pela situação o levou de volta aos anos que serviu o exército de seu país natal, durante a guerra de Yom Kippur, em 1973.

"Quando você passa por algum trauma, sua mente não responde do mesmo jeito", explicou Candiotti sobre suas sensações diante da tragédia. "Isso vem depois", completou.

Homem com cachorro ajudou criança presa

Um homem que passava com seu cachorro acabou ajudando no resgate de uma criança nos escombros do prédio de Miami.

Em entrevista à CNN, Nicholas Balboa contou que sentiu o chão tremer em um certo momento durante a caminhada. Poucos momentos depois, a região foi tomada por poeira e detritos da construção, que caiu parcialmente. O homem afirma que em um primeiro momento pensou que era impossível que houvesse sobreviventes.

"Estava silencioso, parado", contou ela à TV norte-americana. "Era quase se a cena tivesse saído de um filme de terror".

Foi então que Balboa, já acompanhado de outros moradores da região que observavam a cena do desastre, ouviu um grito.

Ele e um outro homem decidiram seguir o som e acabaram encontrado algo: pequenos dedos erguidos em meio a uma montanha de concreto quebrado e metal retorcido.

"Finalmente eu cheguei perto e consegui ouvi-lo, e ele disse: 'Você consegue ver minha mão?'", detalhou a testemunha da tragédia, que deixou um morto e pelo menos 99 desaparecidos.

Balboa então ligou a lanterna de seu celular para sinalizar às autoridades que precisava de ajuda. Em um primeiro momento, ele foi atendido por um policial, e logo outros resgatistas chegaram e conseguiram tirar o menino, que segundo o homem estava dormindo no momento do desabamento, de dentro dos escombros.

"Eu consigo apenas imaginas quantas pessoas estavam em seus apartamentos dormindo, assistindo televisão ou qualquer outra coisa, apenas vivendo suas vidas, sem saber que o prédio estava prestes a ruir", refletiu.

Até a noite de hoje, segundo atualização das autoridades também reportada pela CNN americana, 37 pessoas já haviam sido tiradas dos destroços. 11 delas estavam feridas, das quais quatro tiveram que ser enviadas a hospitais da região.

Outras 99 continuam desaparecidas, com o Departamento de Polícia da região destacando que o prédio que desabou era usado como destino de férias por muitas famílias e que, portanto, é possível que nem todos os nomes da lista estivessem no local.

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