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Afinal, em quais países ainda há caça legal de golfinhos e baleias?

Cena do documentário "The Cove" (2009) que retratou tradicional caça de golfinhos em Taiji, Japão - Reprodução/Youtube
Cena do documentário "The Cove" (2009) que retratou tradicional caça de golfinhos em Taiji, Japão Imagem: Reprodução/Youtube

Do UOL, em São Paulo

16/09/2021 21h58Atualizada em 17/09/2021 09h14

A matança de 1.400 golfinhos nas Ilhas Faroé chamou atenção pelo mundo, mas o território autônomo dinamarquês não é o único a continuar com a caça legalizada de mamíferos marinhos.

Quando o assunto são baleias, uma proibição proposta em 1986 pela Comissão Baleeira Internacional (IWC) tentou acabar com a caça comercial do animal e recebeu apoio de 86 nações, incluindo o Brasil. Mas, no final das contas, mesmo alguns dos países que fazem ou fizeram parte do acordo continuam a matar o mamífero, como Noruega, Islândia e Japão.

Segundo este acordo, as nações que fazem parte da comissão têm autorização para explorar mares internacionais e até mesmo capturar baleias desde que o propósito seja o estudo científico. Já as que discordarem podem caçar apenas no próprio território, explica o site da IWC.

Desde então, dezenas de países também acrescentaram a proteção aos mamíferos marinhos em suas próprias legislações, sem sucesso em evitar a caça ilegal. Entre os países mais conhecidos pelo desrespeito às normas está o Peru, onde 15.000 golfinhos são mortos por ano, apesar de serem protegidos judicialmente, com muitos deles vendidos para o mercado chinês.

Desde que o acordo da IWC foi firmado, apenas Japão, Noruega e Islândia já mataram cerca de 40.000 baleias de grande porte, segundo a instituição Conservação de Baleias e Golfinhos (WDC).

Além disso, mais de 100.000 golfinhos, baleias pequenas e marsuínos, mamíferos semelhantes a esses animais, são mortos a cada ano em várias regiões. Confira abaixo mais detalhes sobre os países em que a caça é permitida:

Japão

Assim como as Ilhas Faroé, a cidade de Taiji, no Japão, ficou mundialmente conhecida pela caça intensa de golfinhos. A prática na região deu origem ao documentário "The Cove", que ganhou o Oscar na categoria em 2010, retratando "como os golfinhos são caçados, massacrados e explorados" na área costeira.

Segundo a última atualização feita por entidades da causa animal, na temporada de 2017/2018, 926 golfinhos e baleias pequenas foram capturadas em Taiji. 206 destes animais foram soltos, mas seu estado de saúde era desconhecido, afirmou a WDC.

A temporada de pesca na cidade costeira começa sempre em 1° de setembro e dura nove meses. Cada participante recebe "cotas", com o número de animais que pode matar neste período, mas não há orientação sobre o objetivo da caça.

Muitos dos golfinhos acabam sendo enviados para delfinários, como são conhecidos os aquários que abrigam apenas estes mamíferos, e obrigados a participar de shows.

A WDC afirma que, recentemente, a oposição à caça cresceu entre a população do Japão, onde nos últimos 70 anos mais de 1 milhão de golfinhos e baleias pequenas foram mortos. Mas, por outro lado, o país deixou oficialmente o acordo da IWC em 2019 e voltou a fazer a caça comercial em várias regiões ainda no mesmo ano.

Há anos, organizações da causa animal acusavam o país de usar supostos estudos científicos como um disfarce para a matança de baleias em águas internacionais, segundo a National Geographic.

Mas a saída formal foi vista como um possível fortalecimento do movimento pró-caça, que conta com a simpatia de países como Rússia e Coreia do Sul. Apesar de fazerem objeções, ambos ainda aceitam seguir as premissas do acordo até o momento.

Islândia e Noruega

Depois de aderir ao acordo em um primeiro momento, a Islândia abandonou a IWC em 1991, alegando que não tinha mais a intenção de obedecer à proibição da caça comercial de baleias, segundo informações do Centro de Conservação de Cetáceos, uma organização chilena de proteção animal.

Mas o país voltou a participar do memorando em 2002, "com ressalvas", segundo consta no site da própria organização. Assim como a Noruega, que desde 1986 assinou o documento impondo seus próprios termos, a Islândia continua praticando a caça dos mamíferos, mas sob condição de fornecer informações detalhadas e dados científicos sobre suas atividades.

Além disso, ambos podem apenas matar animais dentro de suas áreas territoriais. A Noruega caça principalmente baleias minke e baleias-fin, que podem chegar a 25 metros de comprimento. Já a Islândia, segundo a IWC, não faz caça comercial de baleias desde 2018, apesar de manter o direito de praticá-la.

Estados Unidos

No Alasca (EUA), a caça de baleias também é permitida, mas apenas por ser considerada uma prática de subsistência, justificativa semelhante à das Ilhas Faroé há algumas décadas.

"A caça de baleias é uma maneira de desenvolvimento, uma dieta, e a prática aqui não tem objetivo comercial", garantiu Luis Suárez, pesquisador da WWF Espanha em entrevista ao site Euronews em 2019.

Os maiores caçadores dos mamíferos no Alasca são os Inupiats, nativos estadunidenses nômades localizados principalmente no norte do estado. O calendário nos vilarejos gira em torno da temporada de caça, pesca e coleta, segundo o britânico The Guardian.

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