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Fenômeno incomum gera corrida por atuns que passam de 200 kg em Nova York

Membros do Clube de Pesca do Brooklin, em Nova York, exibem o atum fisgado em águas agora repletas de peixes gigantes - Reprodução/Instagram/Brooklyn Fishing Club
Membros do Clube de Pesca do Brooklin, em Nova York, exibem o atum fisgado em águas agora repletas de peixes gigantes Imagem: Reprodução/Instagram/Brooklyn Fishing Club

Colaboração para o UOL, em Santos

22/10/2021 19h32

Um raro influxo de atuns gigantes gerou uma corrida por rabilho, o preferido pela culinária japonesa, entre os pescadores de Nova York. O fenômeno incomum pode estar ligado a iniciativas de conservação de espécies na bacia oceânica que circunda a Big Apple.

Kye Colesanti, de 29 anos, é um dos muitos pescadores da cidade que têm como alvo o surgimento sem precedentes de atum rabilho do Atlântico (Thunnus thynnus), o maior das 15 espécies do peixe, que pode crescer até quatro metros de comprimento e pesar quase uma tonelada. Em comparação, ele chega a ser maior do que um urso pardo do Alasca.

Normalmente associado a águas profundas da Nova Inglaterra, espécimes de tamanho gigante surgiram durante o verão nas águas da baía de Nova York.

O pescador Kye Colasanti posa para foto com um atum gigante fisgado por ele na baía de Nova York - Reprodução/Instagram/rockfishharters/ - Reprodução/Instagram/rockfishharters/
O pescador Kye Colasanti posa para foto com um atum gigante fisgado por ele na baía de Nova York
Imagem: Reprodução/Instagram/rockfishharters/

Colesanti contou ao jornal norte-americano The Post que os pescadores costumavam chamar os atuns de "fantasmas ocasionais", porque, mesmo quando eram avistados, dificilmente podiam ser capturados.

"Este ano, eles entraram em nossas águas, se estabeleceram - e nós os avistamos ao longo de mais de três meses", afirmou.

Veterano de quase 20 anos na comunidade de pescadores de Nova York, Richard Colombo, de 43 anos, perseguiu os peixes gigantes pela primeira vez neste verão. "Nunca os pegamos assim", disse ele, que também é fundador da Rockfish Charters, com sede no Brooklyn. "Você vê 200 barcos lá fora e cada um deles está pescando atum. Isso é uma pescaria legítima".

Ele soube da novidade por um amigo que saiu em julho, "jogou três peixes como isca na água e pegou, tipo, um atum de 226 kg". A partir daí, a febre do atum se espalhou como um incêndio.

"Na segunda semana de agosto, todos perceberam, e foi quando você viu, tipo, 150 barcos saindo de Rockaways, Jones Beach e em outros lugares", de acordo com Colombo.

Em setembro, esse número dobrou. Os tamanhos também dispararam. No início do verão, os pescadores estavam fisgando peixes de 45 kg. Mas em agosto e setembro, eles capturavam regularmente peixes de 90 kg a 272 kg.

Iniciativas de conservação

Carl Lobue, diretor de Programas Oceânicos da Nature Conservancy de Nova York, disse ao The Post que as iniciativas de conservação podem ser a razão por trás do boom de cardumes de atum rabilho em Nova York.

Isso porque a população de menhaden, um tipo de peixe que está no topo da lista de presas preferidas dos atuns, explodiu desde 2012, por conta de restrições impostas à pesca desse tipo de cardume.

Como resposta às preocupações dos pescadores e ambientalistas sobre a pesca comercial de óleo de peixe, os reguladores da região nordeste do estado de Nova York impuseram um amplo limite de captura de menhaden, com o objetivo de reduzir a captura em 20%.

"A população de atum rabilho pode estar aumentando por causa de toda essa comida disponível", disse Carl Safina, ecologista marinho da Stony Brook University. "Parece que eles são mais abundantes agora do que há 10 ou 20 anos."

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do que havia sido informado no 2º parágrafo, o atum rabilho do Atlântico (Thunnus thynnus) pode crescer até quatro metros de comprimento, e não 13 metros. A informação foi corrigida.

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