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Trump testou positivo para covid 3 dias antes de debate, diz ex-assessor

Mark Meadows, então chefe de gabinete de Donald Trump, ao lado do ex-presidente dos Estados Unidos - Al Drago/Reuters
Mark Meadows, então chefe de gabinete de Donald Trump, ao lado do ex-presidente dos Estados Unidos Imagem: Al Drago/Reuters

Colaboração para o UOL

01/12/2021 15h26

Em seu novo livro, "The Chief's Chief", Mark Meadows, último chefe de gabinete do governo de Donald Trump, afirma que o ex-presidente dos Estados Unidos testou positivo para covid-19 três dias antes de seu primeiro debate com Joe Biden nas eleições de 2020.

Cada candidato era obrigado a apresentar resultado negativo no teste de covid dentro das 72 horas que antecediam o embate. Mas essa regra não teria impedido Trump de violar a quarentena. Segundo Meadows, logo após testar positivo para covid-19, ele apresentou um resultado negativo de um outro exame.

A revelação ocorre após mais de um ano de especulações sobre a possibilidade de Donald Trump, então com 74 anos, estar infectado com o coronavírus ao participar do debate com Biden em 29 de setembro de 2020.

Trump só anunciou que estava com covid em 2 de outubro. Um porta-voz da Casa Branca declarou que ele informou o resultado do teste uma hora após recebê-lo. O ex-presidente dos EUA foi para o hospital em seguida.

Meadows afirma que o resultado positivo de Trump para covid, obtido em 26 de setembro, preocupou funcionários da Casa Branca pelo risco de propagação do novo coronavírus, pois o local havia sido palco de uma cerimônia para Amy Coney Barrett, candidata à Suprema Corte.

Apesar de se sentir cansado e da suspeita de um leve resfriado, o presidente insistiu em viajar naquela noite para um comício em Middletown, Pensilvânia. Mas, quando o seu avião decolou, o médico da Casa Branca teria ligado em tom de urgência."Impeça o presidente de ir embora...Ele acabou de testar positivo para covid", descreveu Meadows.

Em seguida, o chefe de gabinete ligou para o Força Aérea 1 para dar a notícia a Trump.

Meadows diz que o teste positivo para covid havia sido feito com um kit de modelo antigo. Então o exame teria sido repetido com o sistema BinaxNow - teste de antígeno para covid-19 -, dando negativo.

Trump teria então interpretado a mensagem como "permissão total para prosseguir como se nada tivesse acontecido". O chefe de gabinete, contudo, teria instruído todos a tratar o presidente como se ele estivesse infectado durante a viagem à Pensilvânia.

"Não queria correr riscos desnecessários", declarou Meadows. "Mas também não queria alarmar o público se não houvesse nada com que se preocupar - o que, de acordo com o novo teste muito mais preciso, realmente não havia."

Em seu livro, Meadows escreve que os membros da audiência no comício nunca saberiam sobre o verdadeiro estado de saúde de Trump. O público, porém, não foi informado dos testes do presidente.

Em 27 de setembro de 2020, o primeiro dia entre os testes e o debate, Meadows disse que Trump também saiu para jogar golfe na Virgínia e organizar um evento para famílias de militares. No dia seguinte, ele participou de outro evento e deu entrevista coletiva na Casa Branca.

No dia do debate, 29 de setembro de 2020, Trump estaria com uma aparência um pouco melhor, com eventuais sinais de fadiga.

"Seu rosto, na maior parte pelo menos, tinha recuperado seu tom de bronze claro, e a sua voz não estava mais rouca. Mas os círculos escuros sob seus olhos se aprofundaram. Quando entramos no local por volta das cinco da tarde, pude notar que ele estava se movendo mais devagar do que o normal. Ele andou como se estivesse carregando um peso extra nas costas", escreveu.

Apesar disso, Trump teve uma performance agressiva e polêmica, a ponto de Biden confrontá-lo durante o debate.

Segundo uma declaração do apresentador Chris Wallace, da Fox News, Trump não foi testado antes das gravações porque chegou atrasado. Ele enfatiza que os organizadores confiavam na integridade do ex-presidente. A Casa Branca também não informou que Trump havia testado positivo e, em seguida, negativo 72 horas antes.

Três dias depois, em 2 de outubro, Trump anunciou pelo Twitter que ele e sua esposa, Melania Trump, estavam com covid. Naquela noite, Meadows ajudou Trump a chegar ao hospital. Ele também teria ajudado a orquestrar manobras para mostrar que o presidente estava bem de saúde - embora tenha se recuperado, há relatos de que o caso era mais sério do que seus assessores deixaram transparecer.

Reação de Trump

Em um comunicado emitido nesta quarta-feira, Trump chamou as alegações de Mark Meadows de falsas: "Essa história de eu ter covid antes ou durante o primeiro debate é fake news. Na verdade, um teste revelou que eu não tinha a doença antes."

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