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Guerra da Rússia-Ucrânia

Notícias do conflito entre Rússia e Ucrânia


Aposta em mísseis é tática russa, diz Ucrânia; ajuda da UE atinge R$ 11 bi

Do UOL*, em São Paulo

13/05/2022 05h30Atualizada em 13/05/2022 09h14

O comandante das Forças Armadas da Ucrânia, Valerii Zaluzhnyi, disse hoje que a tática do exército russo hoje é fazer ataques com mísseis contra o território ucraniano. "Uma das razões para a transição do inimigo para essa tática é a recusa em usar aeronaves, o que incorre em grandes perdas", disse. Hoje, a Ucrânia informou que derrubou um Mi-28, helicóptero de ataque russo, na região de Lugansk.

Segundo Zaluzhnyi, as forças russas lançam diariamente "de 10 a 14 mísseis de cruzeiro contra a infraestrutura civil". O comandante ucraniano fez esse relato sobre a conversa que teve com com Mark Milley, chefe do Estado-Maior dos Estados Unidos. Ao americano, Zaluzhnyi disse que, para ele, a vitória contra os russos "é a destruição do inimigo em nossa terra e a libertação de todos os territórios que ele conquistou".

Hoje, a guerra russa na Ucrânia entrou no 79º dia. O Ministério da Defesa da Rússia fez relato de novos ataques com mísseis contra áreas no território ucraniano, como nas regiões de Poltava e Kharkiv, no leste, atingindo tanques de combustíveis e depósitos de armas.

Na Alemanha, ministros das Relações Exteriores do G7 estão reunidos para debater a guerra promovida pelo presidente russo, Vladimir Putin. O envio de mais armas à Ucrânia e novas sanções à Rússia são temas tratados no encontro. Hoje, a UE (União Europeia) anunciou que dará mais 500 milhões de euros (cerca de R$ 2,7 bilhões) em ajuda militar aos ucranianos.

No total, a verba destinada pelo bloco à Ucrânia para ajuda militar já chega a 2 bilhões de euros —aproximadamente R$ 11 bilhões—, declarou Josep Borell, chefe da diplomacia da UE em Wangels, na Alemanha, onde acontece o encontro do G7. Em meio a ações da UE, a Rússia disse que o bloco virou um ator "agressivo e belicoso" na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Movimentos

Apesar dos ataques russos, as Forças Armadas da Ucrânia indicaram hoje perceber uma melhora da posição tática de suas tropas em Kharkiv. Mas, em Lugansk e Donetsk, a observação é que a Rússia tenta romper a defesa ucraniana "com inúmeras forças que foram acumuladas antecipadamente".

No relatório de hoje, o Ministério da Defesa da Ucrânia indicou que há tensão nas áreas da Moldávia e de Belarus, países vizinhos.

Mapa Rússia invade a Ucrânia - 26.02.2022 - Arte UOL - Arte UOL
Imagem: Arte UOL

Mariupol

A cidade portuária de Mariupol ainda é alvo de ataques aéreos da Rússia, principalmente na região do complexo Azovstal, ponto de resistência de combatentes ucranianos. "A fim de estabelecer o controle total sobre a cidade e suprimir a resistência dos defensores ucranianos, ela usa a aviação estratégica."

Com o processo de evacuação de civis que estão em Mariupol, a Ucrânia já projeta a possibilidade da intensificação de ataques na região. "Espera-se que o fogo aumente no futuro próximo", disse a Defesa ucraniana.

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O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba (à esquerda) e o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, tiveram uma conversa durante a reunião do G7, em Wangels, na Alemanha
Imagem: Kay Nietfeld/AFP

"União" no G7

O Reino Unido pediu hoje o envio de mais armas para a Ucrânia e a adoção de novas sanções contra a Rússia, ao mesmo tempo que a França garantiu a Kiev o apoio do G7 "até a vitória", em uma reunião de chefes da diplomacia do grupo dos países mais ricos do planeta na Alemanha.

"É muito importante neste momento manter a pressão sobre (o presidente russo) Vladimir Putin, fornecendo mais armas à Ucrânia e aumentando as sanções contra o Kremlin", afirmou a ministra britânica das Relações Exteriores, Liz Truss, durante a reunião do G7 em Wangels, norte da Alemanha. "A unidade do G7 foi vital durante esta crise para proteger a liberdade e a democracia. Continuaremos juntos para isto", acrescentou.

O ministro francês Jean-Yves Le Drian garantiu a Kiev o apoio dos países do G7 "até a vitória". "Vamos continuar apoiando de maneira permanente o combate da Ucrânia por sua soberania, até a vitória", declarou Le Drian.

Os chefes da diplomacia do G7 (Alemanha, França, Itália, Canadá, Estados Unidos, Japão e Reino Unido), reunidos até sábado, convidaram os colegas da Ucrânia e da Moldávia para participar nas discussões e saber como podem apoiar Kiev de modo mais efetivo na resistência à invasão russa.

Rússia critica UE

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, acusou a UE de ter-se tornado um ator "agressivo e belicoso" na Otan com o conflito na Ucrânia. "A UE passou de ser uma plataforma econômica construtiva, como foi criada, para um ator agressivo e belicoso que já mostra suas ambições muito além do continente europeu", disse Lavrov, em entrevista coletiva em Dushanbe, no Tadjiquistão.

Nesse sentido, o chanceler considerou que "o desejo de Kiev de se tornar membro da União Europeia não é insignificante".

Lavrov acusou os europeus de correrem "exatamente pelo caminho que a Otan já traçou, confirmando a tendência à fusão com a Aliança do Atlântico Norte e que, de fato, servirá de apêndice" à Otan.

A Rússia, à qual a UE impôs sanções sem precedentes, considera a Aliança Atlântica, seu velho inimigo da Guerra Fria, como uma ameaça existencial e justificou sua ofensiva na Ucrânia, particularmente, pelas ambições de adesão deste país e pelo apoio político e militar ocidental.

Confisco

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, pediu aos países membros do G7 que confisquem ativos russos que podem ajudar na reconstrução de seu país. "A Rússia deve pagar politicamente, economicamente, pelos danos provocados por sua invasão", disse o ministro.

Na semana passada, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, se declarou favorável ao confisco de bens russos congelados na União Europeia como parte das sanções contra Moscou e deixá-los "disponíveis para a reconstrução" da Ucrânia. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, também pediu ao Congresso que possibilite o confisco de ativos dos oligarcas russos bloqueados nos Estados Unidos para usá-los em benefício da Ucrânia.

Negociações

Putin e o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, discutiram hoje sobre a guerra russa na Ucrânia em uma ligação telefônica.

O presidente russo disse a Scholz que o progresso nas negociações sobre o fim do conflito havia sido "essencialmente bloqueado por Kiev", segundo o governo russo, que disse que Alemanha e Rússia manteriam as conversações em vários níveis.

(Com Reuters e AFP)