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1 mês

Militar russo é condenado à prisão perpétua por crime de guerra na Ucrânia

Colaboração para o UOL, em Brasília

23/05/2022 07h19Atualizada em 23/05/2022 08h59

O militar russo Vadim Shishimarin, de 21 anos, foi condenado hoje na Ucrânia à prisão perpétua por matar um civil desarmado, no primeiro julgamento por crimes de guerra desde que a Rússia invadiu o país do leste europeu.

Ele admitiu ter atirado em Oleksandr Shelipov, de 62 anos, que empurrava sua bicicleta perto da vila de Chupakhivka, região da Ucrânia perto da fronteira com o país eurasiático, durante os primeiros dias da invasão, no fim de fevereiro.

Shelipov "morreu no local a poucos metros de sua casa", segundo a procuradora-geral da Ucrânia, Iryna Venediktova.

Os promotores argumentaram que Shishimarin, integrante da 4ª divisão de tanques de Guardas Kantemirovskaya da Rússia, cometeu crime de guerra quando disparou contra o civil desarmado.

Em seu depoimento, Shishimarin disse que recebeu ordens para atirar em Shelipov, porque o idoso estava ao celular e os militares temiam que ele relatasse sua localização, depois de eles terem roubado um carro para fugir de uma batalha num local próximo.

Na semana passada, a viúva de Shelipov perguntou ao militar, ainda em julgamento: "Por favor, me diga, o que você sentiu em relação ao meu marido?" Shishimarin respondeu: "Eu admito a culpa. Entendo que você não será capaz de me perdoar. Peço perdão pelo que foi feito".

Durante o julgamento do militar, o Kremlin (sede do governo russo) disse que não tinha informações sobre o julgamento e que a ausência de uma missão diplomática na Ucrânia limitava sua capacidade de fornecer assistência jurídica, mas negou que seus militares tenham cometido crimes de guerra.

Um julgamento separado envolvendo dois soldados russos acusados de crimes de guerra no suposto bombardeio de alvos civis na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, está em andamento.

A Procuradoria-Geral da Ucrânia diz que analisa mais de 40 casos para julgamentos de crimes de guerra. Autoridades no país afirmam ter registrado mais de 10 mil violações do tipo, incluindo ataques a hospitais.

O que aconteceu, segundo depoimento

Shysimarin era comandante da divisão de tanques Kantemirovskaya no dia em que assassinaram o civil.

No início do dia, ele estava com um grupo de soldados russos que atiraram num veículo civil depois que seu comboio foi atacado por forças ucranianas.

Os militares russos então roubaram o carro e evacuaram a região.

Mais tarde, eles se depararam com a vítima desarmada, que falava ao telefone a algumas dezenas de metros da casa em que morava. Um dos homens no carro teria dito a Shysimarin "para matar um civil para que ele não os denunciasse aos defensores ucranianos". Shysimarin abriu fogo pela janela do carro.

"Ele disparou de três a quatro tiros de suas armas automáticas", disse o promotor do caso ao tribunal. "Ele poderia ter saído do carro e expropriado o telefone da vítima? Sim, ele poderia. Ele poderia apenas dar um tiro? Sim, ele poderia. Mas em vez disso, ele matou um cidadão civil da Ucrânia."

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