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Nova 'cortina de ferro' aparece entre Rússia e Ocidente, diz Lavrov

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, participa de uma coletiva de imprensa conjunta com o presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) após suas conversas em Moscou em 24 de março de 2022 - Kirill Kudryavtsev/AFP
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, participa de uma coletiva de imprensa conjunta com o presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) após suas conversas em Moscou em 24 de março de 2022 Imagem: Kirill Kudryavtsev/AFP

Do UOL*, em São Paulo

30/06/2022 14h43

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse hoje que uma nova "cortina de ferro" está em vias de aparecer entre a Rússia e o Ocidente.

"A cortina de ferro, de fato, já está descendo", disse Lavrov em entrevista coletiva em Minsk, Belarus, em referência à famosa frase proferida pelo ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill em 1946, após a Segunda Guerra Mundial.

"Eles (os ocidentais) devem ter cuidado. O processo já começou", afirmou.

O ministro das Relações Exteriores de Belarus — um país aliado de Vladimir Putin na região —, Vladimir Makei, afirmou que tal cortina de ferro teria sido "erguida pelos próprios ocidentais".

As declarações foram feitas na mesma semana em que a Otan decidiu aceitar a adesão da Suécia e da Finlândia ao bloco militar, e após outro encontro entre os países do G7, que endossaram o apoio à Ucrânia na guerra.

De acordo com Lavrov, a União Europeia "não mostra nenhum interesse em compreender os interesses" russos e suas decisões são determinadas "por Washington". A reunião de cúpula da Otan desta semana demonstra que os Estados Unidos querem "submeter todos os Estados a sua vontade", acrescentou o ministro.

Na declaração final do encontro, os 30 países-membros apontaram a "total responsabilidade" de Moscou pela "catástrofe humanitária" que acontece na Ucrânia e condenaram a "crueldade" da invasão russa.

Durante a tarde, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou o aumento da presença militar norte-americana no continente europeu diante da ameaça de Moscou. Biden citou o envio de tropas à Espanha, Polônia, Romênia, Países Bálticos, Reino Unido, Alemanha e Itália.

O objetivo deste destacamento seria o de fortalecer as tropas da Otan para "responder às ameaças", disse o presidente nesta quarta-feira, sem citar o número de soldados envolvidos. "Se Vladimir Putin esperava um enfraquecimento da Otan ao atacar a Ucrânia, é o efeito oposto que está acontecendo. "Haverá mais Otan, não menos", disse Biden.

*Com informações da AFP e Reuters