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Josias: Renúncia de general demorou muito; imagem de Israel foi esmigalhada

O diretor do serviço de inteligência militar israelense, general Aharon Haliva, demorou para pedir demissão do cargo, avaliou o colunista Josias de Souza no UOL News da manhã desta segunda-feira (4). Ele pediu demissão por sua responsabilidade no ataque do Hamas em 7 de outubro, anunciou o Exército.

Demorou a renúncia desse general. Demorou muito para acontecer. Estamos falando de um atentado terrorista que se deu em 7 de outubro, em um ambiente em que os habitantes de Israel se imaginavam muito seguros [...] Israel se imaginava protegida porque tinha um serviço de inteligência respeitado no mundo inteiro e havia esse 'Domo de Ferro', essa proteção tecnológica que manteria o território israelense inexpugnável, e o que se verificou foi o contrário disso. Houve um ataque terrorista que matou 1.200 pessoas e ainda levou reféns para a Faixa de Gaza.

Há, hoje, um questionamento muito intenso interno da sociedade de Israel que questiona muito o governo Netanyahu. Questionava antes por conta de corrupção e questões administrativas, passou a integrar esse contencioso a falha de segurança verificada no dia 7 de outubro. Hoje, compõe esse contencioso que engrossa o caldo de questionamentos ao Netanyahu, a forma como ele está administrando a resposta ao atentado terrorista.

Ele não conseguiu trazer todos os reféns de volta e esmigalhou a imagem internacional de Israel ao converter uma resposta que o mundo inteiro considerava inevitável, que Israel tinha o direito de dar, em uma punição coletiva que ceifou mais de 30 mil palestinos.

Ele transformou algo legítimo em uma punição coletiva, que se confunde com crime de guerra. Ele está sob intenso questionamento.

O fato do general responsável pela inteligência de Israel se afastar, pedir exoneração e reconhecer sua responsabilidade na falha que permitiu os terroristas sapatearem sob a reputação de Israel, não elimina ou reduz a fatura de Netanyahu. O afastamento do general potencializa a responsabilidade de Netanyahu. Isso não é algo que se terceirize.

Netanyahu não está isento dessa falha grotesca de Israel que permitiu que os terroristas realizassem o ataque de 7 de outubro.

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