Por que cientistas estão levando pedaços de uma geleira da Bolívia para a Antártida

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    Segundo Patrick Ginot, um dos glaciólogos da equipe, a temperatura no Illimani aumentou 0,7ºC nos últimos 18 anos

    Segundo Patrick Ginot, um dos glaciólogos da equipe, a temperatura no Illimani aumentou 0,7ºC nos últimos 18 anos

Uma biblioteca singular está começando a tomar forma na base franco-italiana na Antártida.

Mas nela não haverá livros, e sim amostras de gelo de todas as geleiras ameaçadas do mundo.

A amostra mais recente foi coletada por uma equipe internacional de pesquisadores na geleira Illimani, que fica a cerca de 80 quilômetros de La Paz, capital da Bolívia.

O objetivo do projeto, batizado de "Memórias do gelo", é estudar e preservar o material antes que as geleiras desapareçam por causa das mudanças climáticas.

A Antártida é o lugar óbvio para acolher as amostras porque, mesmo caso seja mantido o aumento das temperaturas globais, irá se manter fria por muito tempo.

"Nós queremos guardar esse tipo de amostras de geleiras porque elas são uma enciclopédia sobre o clima e o meio ambiente", disse Patrick Ginot, um dos glaciólogos que trabalha na iniciativa, à agência de notícias Reuters.

As geleiras acumulam camadas de neve durante milhares de anos. O Illimani, por exemplo, tinha acumulados 18 mil anos de gelo.

Poluentes

Para extrair o gelo do glaciar boliviano, a mais de 6,2 mil metros de altura, os pesquisadores utilizaram uma broca especial que lhes permitiu extrair dois cilindros, um de 137 metros e outro de 134.

Além de servir para decifrar a história do clima, esses pedaços de gelo permitirão acompanhar as mudanças nas emissões de poluentes em La Paz nos últimos séculos, dizem os pesquisadores.

Segundo prevê a equipe, as geleiras que estão a menos de 5,5 mil metros "vão desaparecer completamente nos próximos 20 anos".

Isso, afirmam, terá consequências diretas na seca que hoje afeta o país.

Antes do próximo El Niño

A extração de gelo na Bolívia foi a segunda feita pela equipe, cuja administração está a cargo da universidade francesa Grenoble Alpes.

A primeira aconteceu em agosto do ano passado, quando os pesquisadores coletaram amostras do maciço de Mont Blanc, nos Alpes franceses.

As próximas expedições serão à Rússia e ao Nepal.

A Bolívia foi prioridade agora porque se teme que o El Niño possa ser mais forte nos próximos anos.

Caso isso ocorra, haveria um degelo mais pronunciado e se perderia muito da informação contida no gelo.

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