Operação Lava Jato

Cúpula do PMDB é investigada em casos de corrupção

Do UOL, em São Paulo

  • Pedro Ladeira/Folhapress

    Membros da Diretório Nacional do PMDB comemoram rompimento com o governo Dilma

    Membros da Diretório Nacional do PMDB comemoram rompimento com o governo Dilma

 
A cúpula do PMDB é formada por políticos de matizes e origens diversas. Porém seus membros têm ao menos um fator em comum: todos foram ou são investigados em casos de mau uso de dinheiro público, corrupção, dentre outros crimes, que não se limitam apenas aos fatos investigados pela Operação Lava Jato. Eles negam todas as acusações.
 
Conhecido por sua tendência governista, desde o fim do regime militar, o PMDB rompeu na última terça-feira (29) com a gestão da presidente Dilma Rousseff, após 13 anos de alinhamento com os governos petistas. Originado do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido de oposição à ditadura, o PMDB é a mais antiga agremiação brasileira e tem o maior número de filiados: quase 2,4 milhões de pessoas, de acordo com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), relativos ao último mês de fevereiro.
 
O partido atualmente é comandado pelo senador Romero Jucá (RR), após licenciamento de Michel Temer do cargo.
 
Veja abaixo alguns casos de corrupção que envolvem cardeais do PMDB.

Davi Ribeiro/Folhapress
Davi Ribeiro/Folhapress

Michel Temer

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reuniu indícios em dezembro de 2015 de que o vice-presidente teria recebido R$ 5 milhões do dono da OAS, José Adelmário Pinheiro, o Leo Pinheiro, um dos empreiteiros condenados em decorrência do escândalo da Petrobras. Até o momento, não há acusação formal contra ele, que também foi citado na delação do senador Delcídio do Amaral --segundo a denúncia, Temer foi o responsável pelas indicações dos ex-diretores da Petrobras Jorge Zelada e João Augusto Henriques, condenados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Outro delator, o lobista Júlio Camargo, afirmou no ano passado em depoimento que Temer era um contato de Fernando Baiano, também lobista, no PMDB. Camargo e Baiano admitiram ter participado do esquema de propinas envolvendo a Petrobras. OUTRO LADO: Temer negou ter se beneficiado com o recebimento de qualquer recurso de origem ilícita. Segundo sua assessoria de imprensa, o diretório nacional do PMDB recebeu, em 2014, um montante total de R$ 5,2 milhões da OAS, que foi declarado nas prestações de contas do partido enviadas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), não ocorrendo nenhuma ilegalidade na operação. O vice-presidente também negou ter indicado Zelada e Henriques à Petrobras. "As indicações foram feitas pela bancada do PMDB de Minas Gerais. O vice-presidente não tinha nenhum contato com essas duas pessoas", afirmou a assessoria de imprensa. Temer também disse, por meio da assessoria, não conhecer Fernando Baiano --"nunca teve ou tem com ele qualquer relação"-- nem Júlio Camargo.
Renato Costa/Folhapress
Renato Costa/Folhapress

Renan Calheiros

O presidente do Senado é detentor de um recorde incômodo para sua biografia. Ele é o político com mais processos por corrupção no STF no âmbito da Operação Lava Jato: são nove no total. Em outro caso rumoroso, Renan é acusado de apresentar notas fiscais falsas ao Conselho de Ética do Senado em 2007. À época, ele renunciou ao cargo de presidente do Senado para escapar da cassação de seu mandato. OUTRO LADO: O senador tem negado ligação com o esquema de corrupção da Petrobras. Em nota divulgada em abril, a assessoria do peemedebista disse que o senador "reitera que é zero a chance de ter participado ou cometido irregularidades. Sobre a acusação de 2007, Renan admitiu, em fevereiro de 2016, ter cometido um "excesso", mas disse que o caso envolve uma questão pessoal que precisa ser preservada. "Sobre essa matéria é preciso que se diga, primeiro, que quem pediu a investigação junto ao STF e ao Ministério Público fui eu. Eu, mais do que qualquer um, tenho total interesse que essas coisas se esclareçam. Isso não envolve dinheiro público", afirmou.
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Eduardo Cunha

O presidente da Câmara é o primeiro político a se tornar réu em um processo da Operação Lava Jato no Supremo. Em março, os ministros concordaram que havia indícios suficientes para abrir uma ação penal contra o político do Rio de Janeiro, que tem saído incólume de processos de corrupção desde os anos 1990. Além de ser acusado de receber propinas em um esquema de corrupção envolvendo a Petrobras, Cunha é investigado pelo Conselho de Ética da Câmara por mentir sobre existência de contas em seu nome no exterior. OUTRO LADO: O advogado de Cunha na Lava Jato, Antonio Fernando de Souza, afirmou na sessão de julgamento do STF que não havia provas de que seu cliente tenha recebido valores ligados à suposta propina. "Apesar de as denúncias se referirem a diversas transferências de valores, nenhuma delas se refere a Eduardo Cunha", afirmou.
Pedro Ladeira/Folhapress
Pedro Ladeira/Folhapress

Romero Jucá

Senador por Roraima, Romero Jucá serviu como líder do governo de FHC, Lula e Dilma. Além de ser alvo de três inquéritos no STF, por crimes como apropriação de contribuição previdenciária e crime eleitoral, o vice-presidente do partido teve seu nome citado em delações da Lava Jato, inclusive a do senador Delcídio do Amaral. Jucá também aparece nas planilhas encontradas na casa de um executivo da construtora Odebrecht, durante uma das fases da operação. OUTRO LADO: Sobre a inclusão na delação de Delcídio, Jucá disse nunca ter tido "uma relação mais próxima" com o senador e que "qualquer dúvida deve ser investigada". Sobre a citação na planilha da Odebrecht, a assessoria de Jucá afirmou que o "TSE aprovou, sem ressalvas, todas as doações de campanha do parlamentar".
Arte/UOL
Arte/UOL

Sérgio Cabral

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral é alvo de um inquérito da PF por supostamente ser beneficiário da corrupção na Petrobras investigada pela Lava Jato. O doleiro Alberto Youssef, um dos primeiros delatores do esquema, já afirmou que Cabral recebeu R$ 30 milhões em doações ilegais durante sua campanha de reeleição, em 2010. Documentos obtidos na investigação indicam que Cabral teria recebido propinas da Odebrecht relacionadas à obra da Linha 4 do metrô da capital fluminense. OUTRO LADO: Cabral sempre negou envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. Em março, reafirmou sua inocência, por meio de nota enviada via assessoria: "Todas as contribuições das campanhas eleitorais do ex-governador Sérgio Cabral foram de acordo com o que estabelece a lei".
Alan Marques/Folhapress
Alan Marques/Folhapress

Jader Barbalho

O ex-governador do Pará já renunciou à presidência do Senado no ano de 2001, para escapar da cassação de seu mandato. Chegar aos 70 anos. em 2014, foi providencial para o político, pois por causa disso cinco ações penais e um inquérito foram arquivados no Supremo. Os processos estavam relacionados a um suposto esquema de corrupção na Sudam (Superintendência do Desenvolvimento para Amazônia), na década de 1990. Jader foi citado também em supostos esquema de propina da construtora Odebrecht nos anos 1980. OUTRO LADO: Em seu Facebook, Jader negou ter recebido propina da Odebrecht. "Nunca recebi dinheiro nem favores da Odebrecht."

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