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"Daqui a pouco vamos torturar pessoas para que confessem", diz senador sobre pressão em Demóstenes

O senador Pedro Taques (PDT-MT) durante entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, do blog "Poder e Política", no último dia 17 - André Borges 17.mai.2012/Folhapress
O senador Pedro Taques (PDT-MT) durante entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, do blog "Poder e Política", no último dia 17 Imagem: André Borges 17.mai.2012/Folhapress

Camila Campanerut

Do UOL, em Brasília

31/05/2012 12h49

Ao final da reunião da CPI do Cachoeira, o senador Pedro Taques (PDT-MT) classificou como “criminosa” a reação do deputado federal Silvio Costa (PTB-PE) ao proferir agressões verbais contra o senador Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM-GO), investigado pelas relações com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

“Quem trata criminoso ou suposto criminoso como criminoso não merece representar o Estado. Eu não vou ofender a Constituição da República. Não interessa a quem seja. Se nos abrirmos mãos de princípios constitucionais, daqui a pouco nos estamos torturando pessoas para confessar, para falar a verdade”, afirmou Taques.

Costa e Taques protagonizaram um bate-boca nesta quinta-feira (31) durante reunião de CPI para ouvir Demóstenes, que se recusou a responder as perguntas feitas.

Segundo Taque, sua fala não era uma forma de “defender o senador goiano”, mas, sim, fazer prevalecer o direito constitucional de Demóstenes ficar calado para não se incriminar.

Taques afirmou também que os integrantes da CPI poderão terão acesso às informações dadas por Torres ao Conselho de Ética há dois dias.

Taques disse que, como ex-procurador da República, já investigou e processou “grandes criminosos”, mas não concordar em desrespeito às pessoas. “Eu não aceito que um parlamentar possa desrespeitar qualquer pessoa humana, não interessa se é um senador.”

No entanto, a avaliação o deputado Costa é de que Taques é defensor de Demóstenes e foi “deselegante” por ter interrompido a fala dele, que é líder do PTB na Câmara.

“O senador Demóstenes sempre disse que tinha 32 votos a favor dele no Senado. Hoje, a gente encontrou um dos votos, o senador Pedro Taques”, disse Costa.

“Se o Senado, evidentemente tiver vergonha e só o Senado vai ter, este senador Demóstenes tem que ser cassado por 80 votos. Com o seu silêncio, ele disse: ‘eu, Demóstenes, faço parte, sim, da quadrilha do senhor Cachoeira”, completou o deputado.

Bate-boca

No depoimento de Demóstenes, Costa, que é membro da comissão, pediu a palavra. “Seu silêncio é a mais perfeita sinalização da sua culpa”, disse, antes de chamar o senador de “membro da quadrilha do Cachoeira” e “braço legislativo da quadrilha”.

Costa usou trechos do depoimento de Demóstenes na terça-feira (29) para criticá-lo. “O senhor diz que os amigos o abandonaram. O senhor é que traiu os amigos. O senhor que traiu o Brasil”, disse Costa. “O senhor diz que é carola. Se o céu existir, o senhor não vai para o céu. O céu não é lugar para mentiroso, para gente hipócrita.”

O senador Pedro Taques (PDT-MT) interrompeu Costa com um pedido de ordem dos trabalhos. “O direito tem de ser respeitado, não interessa quem seja”, afirmou.

Em seguida, ouviu Costa chamá-lo de “deselegante”, e continuar os ataques contra Demóstenes. “Vou lhe chamar de ex-futuro senador, você vai ter 80 votos contra a sua cassação”, disse o petebista em referência ao número total de 81 senadores.

“Você é um hipócrita. Você deveria ser processado por propaganda enganosa”, disse. Taques novamente protestou contra a linguagem de Costa e por ter sido chamado de deselegante. “Não me meça pela sua régua”, afirmou Com a ameaça de um bate-boca mais intenso, o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), encerrou a reunião.

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