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Amparado por habeas corpus, ex-presidente da Delta fica em silêncio na CPI do Cachoeira

Cavendish foi mais um convocado da CPI a não responder aos questionamentos dos parlamentares - Antonio Augusto/Agência Câmara
Cavendish foi mais um convocado da CPI a não responder aos questionamentos dos parlamentares Imagem: Antonio Augusto/Agência Câmara

Do UOL, em São Paulo

29/08/2012 17h11Atualizada em 29/08/2012 19h01

O empresário Fernando Cavendish, ex-presidente da construtora Delta, preferiu se manter em silêncio na reunião da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) Mista do Cachoeira, nesta quarta-feira (29), no Congresso. O empresário foi dispensado em menos de cinco minutos.

Cavendish obteve nessa terça-feira (28) um habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal). Limitou-se a dizer que, por orientação do advogado, só falaria judicialmente. A comissão investiga a relação entre agentes públicos e empresários com Carlinhos Cachoeira, preso em fevereiro deste ano sob a acusação de envolvimento em um esquema de exploração de jogos ilegais.

Diante da negativa em depor, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) pediu ao empresário que esclarecesse quais senadores "compraria com R$ 6 milhões", conforme Cavedish teria dito em uma das gravações feitas pela Polícia Federal, durante as investigações das operações Vegas e Monte Carlo. “É uma questão de hombridade”, defendeu o tucano. Mesmo assim, Cavendish preferiu ficar calado.

Depois de Cavendish, os parlamentares ouviram o contador Gilmar Carvalho de Moraes. O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), disse que a comissão pediu ao Ministério da Justiça que tomasse providências para proteger o depoente e sua ex-mulher, que teriam sofrido ameaças.

O contador relatou à CPI ter ficado sabendo do esquema de corrupção que está sendo investigado por meio de um repórter. Citou que possuía uma dívida e que foi cobrado por ela; na sequência, teria sido ameaçado. Ele afirmou que seus documentos foram usados indevidamente pelo credor da dívida.

“O senhor sabe que tem quatro CPFs no seu nome e no da sua mãe?”, questionou o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG). O contador respondeu: “É justamente o que estou questionando. Quero achar esse cidadão para recuperar minha família”, disse.

Ex-diretor da Dersa foi primeiro a depor

O primeiro depoente do dia foi o ex-diretor da Dersa (estatal rodoviária de São Paulo), o engenheiro Paulo Vieira de Souza, 63, convocado para falar sobre as relações entre a construtora Delta, investigada pela CPI, e a estatal paulista. Ele disse não conhecer Cachoeira, mas admitiu conhecer o ex-presidente da Delta. "Cavendish vi uma vez na Dersa, em 2008, e outra vez talvez em 2009", resumiu.

Souza afirmou ainda que a Delta participou junto à Dersa apenas das obras do lote dois da nova marginal Tietê, pela qual foram pagos à empresa R$ 172 milhões. Ao todo, o empreendimento teve licitados quatro lotes da obra.

“A Delta participou de todas as licitações e perdeu em todas por preço maior. A única obra que ela tem na Dersa corresponde a 1,9% do volume gasto na marginal, em valore licitados de R$ 11,5 bilhões. É uma situação diferente de tudo o que eu vi até hoje”, declarou.

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