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Relator do mensalão sugere que colega do STF usou parentesco com Collor para ingressar na Corte

Os ministros Marco Aurélio Mello e Joaquim Barbosa acompanham o julgamento do mensalão no STF no último dia 20 - Antonio Araujo/UOL
Os ministros Marco Aurélio Mello e Joaquim Barbosa acompanham o julgamento do mensalão no STF no último dia 20 Imagem: Antonio Araujo/UOL

Do UOL, em Brasília

28/09/2012 14h41Atualizada em 28/09/2012 14h46

Após o ministro Marco Aurélio Mello ter dito que estava "preocupado" com o fato de Joaquim Barbosa ser o próximo a assumir a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), o relator do mensalão sugeriu em nota que Mello não estudou o suficiente e se aproveitou de relações familiares para ingressar na Corte.

Mello é primo do ex-presidente da República Fernando Collor, que o nomeou para o STF. Com a aposentadoria do atual presidente, ministro Ayres Britto, que completa 70 anos em novembro, Barbosa deve assumir o comando da Corte.

“Ao contrário de quem me ofende momentaneamente, devo toda a minha ascensão profissional a estudos aprofundados, à submissão múltipla a inúmeros e diversificados métodos de avaliação acadêmica e profissional. Jamais me vali ou tirei proveito de relações de natureza familiar”, afirma o texto da nota, divulgada na noite de quinta-feira (28).

O relator do mensalão afirmou ainda que o colega costuma ser um problema para os presidentes do STF. “Um dos principais obstáculos a ser enfrentado por qualquer pessoa que ocupe a Presidência do Supremo Tribunal Federal tem por nome Marco Aurélio Mello.”

Leia a íntegra da nota de Barbosa:

"Um dos principais obstáculos a ser enfrentado por qualquer pessoa que ocupe a Presidência do Supremo Tribunal Federal tem por nome Marco Aurélio Mello. Para comprová-lo, basta que se consultem alguns dos ocupantes do cargo nos últimos 10 ou 12 anos. O apego ferrenho que tenho às regras de convivência democrática e de justiça me vem não apenas da cultura livresca, mas da  experiência concreta da vida cotidiana, da observância empírica da enorme riqueza que o progresso e a modernidade trouxeram à sociedade em que vivemos,   especialmente nos espaços verdadeiramente democráticos.

Caso venha a ter a honra de ser eleito Presidente da mais alta Corte de Justiça do nosso País nos próximos meses, como está previsto nas normas regimentais,  estou certo de que de mim não se terá  a expectativa de decisões rocambolescas e chocantes para a coletividade, de devassas indevidas em setores administrativos, de tomadas de posição de claro e deliberado confronto para com os poderes constituídos, de intervenções manifestamente "gauche", de puro exibicionismo, que parecem ser o forte do meu agressor do momento Ao contrário de quem me ofende momentaneamente, devo toda a minha ascensão profissional a estudos aprofundados, à submissão múltipla a inúmeros  e diversificados métodos de avaliação acadêmica e profissional. Jamais me vali ou tirei proveito de relações de natureza familiar.”

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