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Voto aberto para vetos presidenciais evita "pequenas traições", diz líder do governo

Fernanda Calgaro

Do UOL, em Brasília

10/12/2013 16h51Atualizada em 10/12/2013 17h40

O líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse nesta terça-feira (10) que o voto aberto na análise dos vetos presidenciais pelo Congresso vai evitar “traições” ao governo.

“Eu acho que aquelas pequenas traições, ou não tão pequenas, não serão mais traições. Serão atitudes refletidas, cada um vai votar de acordo com a sua consciência e vai responder pelo seu voto”, afirmou pouco antes do início da primeira sessão em que o Congresso irá analisar vetos após a extinção do voto secreto para essa situação. Três vetos da presidente Dilma Rousseff estão na pauta.

Posições opostas

Embora tenha dito não ser possível saber o resultado da votação, Chinaglia arriscou afirmar que a tendência é que, com a mudança, o governo não saia derrotado.

“Se eu tivesse que fazer uma numerologia, nós não perdemos nenhuma votação de veto com o voto secreto. Não acho que isso vai mudar com o voto aberto.”

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) criticou o voto aberto para a análise de vetos presidenciais e disse que receia que parlamentares da base aliada fiquem constrangidos em votar contra o governo.

“O voto secreto na derrubada do veto é o voto da independência do parlamentar contra a opressão, a força e a perseguição no governo”, disse o tucano, acrescentando que vê o voto secreto como “uma defesa do parlamentar contra uma perseguição do Estado”.

Disse ainda que muitos parlamentares poderão votar a favor do governo de olho na liberação de verbas. “Infelizmente, com a força do Executivo, [eles] dependem da liberação de sua emendas.”

Mais Médicos

O Congresso Nacional analisa hoje vetos da presidente Dilma Rousseff em votação aberta, a primeira após a promulgação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que estabelece o fim do voto secreto nas votações de vetos presidenciais e em processos de cassação de parlamentares.

A partir de agora, deputados e senadores votarão diretamente no painel eletrônico do plenário da Câmara, que já tem cadastrados também os nomes dos senadores.

O resultado será divulgado ao final de cada votação, não dependendo mais de apuração manual, que geralmente era concluída na madrugada.

Com as cédulas de papel, deputados e senadores votavam simultaneamente, depositando seus votos nas urnas de cada Casa. O Prodasen iniciava a apuração pelos votos dos deputados ou pelos votos dos senadores. Se a votação da primeira Casa fosse pela manutenção do veto, os votos da segunda Casa não precisavam ser apurados, já que um veto presidencial só pode ser derrubado pelas duas Casas juntas.

Três itens estão na pauta da primeira sessão de votação aberta dos vetos presidenciais. A votação será feita diretamente no painel eletrônico do plenário da Câmara e o resultado será divulgado na hora. A MP (Medida Provisória) do programa Mais Médicos é o primeiro item da pauta e os vetos foram mantidos. (Com Agência Câmara)