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Em carta de renúncia, deputado das laqueaduras diz que "consultou travesseiros"

Trecho da carta de renúncia do deputado federal Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), que foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 3 anos, 1 mês e 10 dias de prisão no regime aberto por oferecer laqueaduras em troca de votos. O deputado renunciou ao cargo nesta quarta-feira (26) - Reprodução/www.camara.gov.br
Trecho da carta de renúncia do deputado federal Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), que foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 3 anos, 1 mês e 10 dias de prisão no regime aberto por oferecer laqueaduras em troca de votos. O deputado renunciou ao cargo nesta quarta-feira (26) Imagem: Reprodução/www.camara.gov.br

Do UOL, em Brasília

26/03/2014 17h29Atualizada em 26/03/2014 19h17

Na carta entregue à Mesa Diretora, o deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) diz que "consultou os travesseiros" antes de tomar a decisão. Ele foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 3 anos e 1 mês e 10 dias de prisão no regime aberto por oferecer laqueaduras em troca de votos e renunciou ao mandato na Câmara nesta quarta-feira (26) para evitar a cassação.

Voto aberto em cassação influenciou renúncia, diz deputado das laqueaduras

Veja abaixo a íntegra do documento:

Senhor Presidente, 

Ao longo de minha vida exerci cargos e funções públicas relevantes, entre os quais permito-me citar o de professor, Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas do Estado do Pará, prefeito de Salinópolis, presidente do Grupo Executivo das Terras do Araguaia e Tocantins - GETAT, Superintendente do INCRA, Secretário de Pesca e Aquicultura, todos no Estado do Pará.

No desempenho desse mister sempre pautei minhas ações pelos princípios constitucionais da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência.

Eleito deputado federal por seis mandatos, tive o privilégio de participar da Assembleia Nacional Constituinte e conviver com vultos exponenciais do Parlamento brasileiro, aos quais rendo minha sincera homenagem nas pessoas do saudoso e inesquecível deputado Presidente Ulisses Guimarães e dos nossos companheiros Mauro Benevides e atual Presidente Henrique Eduardo Alves.

Diz-me a consciência que, no exercício desses mandatos, emprestei minha contribuição, embora modesta, quer na esfera legislativa, quer na busca de recursos para os municípios paraenses, que a reconhecem, como demonstrado as minhas sucessivas reeleições.

Hoje, por uma decisão equivocada do Supremo Tribunal Federal – STF, condenado à pena de três anos, um mês e dez dias de prisão em regime aberto, por crime que não cometi – esterilização cirúrgica -  por ser crime de mão própria, portanto, impossível de ser praticado por quem não seja médico, como em assinalou em voto absolutório o competente ministro Marco Aurélio de Melo, resta-me tomar a mais difícil e dolorosa decisão da minha vida pública, a de renunciar ao mandato que me foi outorgado por 87.681 eleitores de meu Estado.

Os Tribunais de Justiça são integrados por seres humanos e, por isso mesmo, passíveis de erro. Esta máxima aplica-se também ao Egrégio Supremo Tribunal Federal, que, mesmo sendo a última instância, dela não está isento.

Entretanto, pelo respeito que tenho a esta Casa e aos meus ilustres pares, para não lhes causar nenhum constrangimento de terem que votar pela cassação ou não do meu mandato, é que, depois de consultar os travesseiros, as lideranças nacional e regional do meu partido, a minha esposa, meus filhos, familiares e amigos, decidi pela minha renúncia, a partir de hoje, dia 26 do corrente.

Peço vênia a Vossa Excelência, Senhor Presidente, às Senhoras e aos Senhores Deputados, para agradecer a Deus por ter me dado força para enfrentar com serenidade este momento que, reitero, o mais difícil e doloroso de meus 75 anos de vida, dos quais 56 dedicados ao exercício de cargos  funções públicas. Agradecer à minha família, especialmente, à minha mulher Sandra, aos meus filhos, netos e enteados que sempre me incentivaram nos momentos de alegria e nas adversidades. Agradecer ao meu partido, o PMDB, nas pessoas dos presidentes nacional e regional, Senadores Valdir Raupp e Jader Barbalho. Por último, agradecer ao povo do meu Estado, particularmente aos sulparaenses e aos meus amigos de Marabá e dizer-lhes que, se Deus me der vida e saúde, uma vez cumprida a pena, tenho certeza, me reconduzirão a esta Casa para continuar trabalhando em defesa de seus direitos e em prol da criação do Estado de Carajás.

Que Deus proteja e abençoe o Brasil! Que Deus proteja e abençoe o Pará! Que Deus proteja e abençoe Vossas Excelências, meu caros amigos deputados e deputadas.

Até breve, se Deus o permitir!

Um forte abraço do Asdrubal Bentes

 

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