Mais pacificador que reconciliação é justiça, diz irmã de vítima após relatório

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

Familiares de vítimas da ditadura militar tiveram reações diversas em relação ao final dos trabalhos da CNV (Comissão Nacional da Verdade). A comissão, que entregou o seu relatório final à presidente Dilma Rousseff (PT) nesta quarta-feira (10), apurou violações de direitos humanos cometidas durante o regime militar.

Eliana de Castro é irmã do militante Teodoro de Castro, conhecido como Raul e que desapareceu durante o episódio conhecido como Guerrilha do Araguaia. Ela participou da cerimônia de entrega do relatório da CNV à presidente Dilma, mas disse não se sentir "à vontade" com o final dos trabalhos da comissão.

"Eu não me sinto à vontade, não. Em primeiro lugar, porque eu ainda não conheço o relatório e, em segundo lugar, porque os desaparecidos continuam desaparecidos. Pra mim, pessoalmente, ainda não tem o que celebrar", diz.

Oficialmente, a Guerrilha no Araguaia, ocorrida em meados dos anos 70 na região do vale do rio Araguaia, na divisa entre Tocantins e Pará, deixou 69 pessoas desaparecidas. Em mais de dois anos de trabalho, a CNV só conseguiu atestar a localização de três desaparecidos políticos. 

Maria Cristina Vanucchi Leme, irmã do estudante Alexandre Vannucchi Leme, morto em 1973 durante a Operação Bandeirantes, diz estar satisfeita com o final dos trabalhos da comissão, mas que espera que o relatório possa ser o primeiro passo para um processo de responsabilização dos autores de violações cometidas durante a ditadura.

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"Estou esperançosa que as recomendações levem a um processo que resulte em justiça. Reconciliação é importante, mas mais pacificador que a reconciliação é a justiça", afirmou.

A cerimônia de entrega do relatório do grupo à presidente Dilma foi marcada pela emoção e por gritos de protesto. Antes do discurso da presidente, um dos presentes gritou: "Punição aos assassinos e torturadores desse país". Dilma, que foi presa e torturada durante a ditadura militar, chorou ao discursar para uma plateia repleta de familiares de mortos e desaparecidos políticos.

"Disse que o Brasil merecia a verdade, que as novas gerações mereciam a verdade, sobretudo,mereciam a verdade aqueles qeu perderam, familiares parentes,amigos, companheiros, e que continuam sofrendo...(choro) continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia", disse.

Clique aqui para acessar o relatório final da Comissão Nacional da Verdade na íntegra

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