Brasil piora em ranking da corrupção; para Transparência, resultado não é surpresa

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

  • Rodolfo Burher/Reuters

    O empreiteiro Marcelo Odebrecht foi um dos presos pela Lava Jato em 2015

    O empreiteiro Marcelo Odebrecht foi um dos presos pela Lava Jato em 2015

O Brasil caiu sete posições e amargou sua pior colocação desde 2008 no ranking sobre a percepção da corrupção de 2015 produzido pela ONG (organização não governamental) Transparência Internacional e divulgado nesta quarta-feira (27). Em 2014, o Brasil estava na 69ª posição. Em 2015, no entanto, o Brasil apareceu na 76ª colocação, a maior queda entre todos os 168 países pesquisados. Segundo a entidade, o escândalo exposto pela Operação Lava Jato foi um dos principais responsáveis pela queda do Brasil no ranking. 

A Transparência Internacional produz o ranking da corrupção desde 2001. Segundo a ONG, a lista é uma ferramenta para avaliar como executivos e integrantes de instituições internacionais avaliam o grau de transparência dos países.

Em 2015, a pesquisa foi realizada a partir de entrevistas com integrantes de 12 instituições como o Banco Mundial, Fórum Econômico Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento. Entre as perguntas feitas aos entrevistados estavam questões como: "em que medida ocupantes de cargos públicos são impedidos de abusar de seus postos?" e "em que medida ocupantes de cargos públicos que abusaram de seus cargos foram processados ou punidos?".

As notas dadas aos países vão de 0 a 100. Quanto maior a nota, mais transparente é o país. Em 2014, o Brasil tinha nota 43. Em 2015, porém, a nota do Brasil foi de 38 pontos. A Dinamarca, considerado o país mais transparente segundo a classificação, tem nota 91. A Somália, pior do ranking, tem nota 8.

De acordo com o diretor para as Américas da Transparência Internacional, Alejandro Salas, a Operação Lava Jato foi fundamental para a redução da nota do Brasil. "Infelizmente, o resultado do Brasil não é uma surpresa. Entre 2014 e 2015, o principal tópico no Brasil foi a corrupção, particularmente ligada à Petrobras. A investigação revelou uma rede de corrupção que não é nova, mas que só agora chegou ao conhecimento das pessoas", afirmou Salas.

Para Salas, apesar de as investigações contra empresários e políticos feitas pela Operação Lava Jato serem um sinal de que o país funciona "como uma democracia mais ou menos consolidada", as prisões e os julgamentos feitos até agora não são suficientes.

É preciso que o Brasil tome as medidas necessárias para impedir que esquemas como os que foram revelados pela Operação Lava Jato se repitam. Não basta só prender. É preciso mudar o sistema em que políticos e empresários estão tão próximos

Alejandro Salas, diretor para as Américas da Transparência Internacional

O diretor lamenta que as medidas anticorrupção anunciadas pela então candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) nas eleições de 2014 e que foram enviadas ao Congresso Nacional em março de 2015 ainda não tenham sido implementadas

"A agenda anticorrupção apresentada pela presidente Dilma acabou sendo aprisionada no mundo político. Todas essas negociações políticas estão paralisando esse processo. Os parlamentares brasileiros não estão mostrando maturidade nem que se importam com o que é importante para o país", afirmou Salas.

Dinamarca é "tetracampeã" da transparência

Pela quarta vez seguida, a Dinamarca lidera o ranking da Transparência Internacional. O país aparece em primeiro como o país mais transparente do mundo desde 2012. Em 2015, o "top" 10 dos países mais transparentes é complementado por Finlândia (2º), Suécia (3º), Nova Zelândia (4º), Holanda e Noruega (dividindo o 5º lugar), Suíça (7º), Cingapura (8º), Canadá (9º) e Alemanha (10º).

Na parte debaixo do ranking, a Somália aparece novamente como o país menos transparente do mundo. O país, considerado por organizações internacionais como um "Estado falido", ocupa a última colocação do ranking desde 2007. Completando a lista dos 10 países menos transparentes, estão: Coreia do Norte (167º), Afeganistão (166º), Sudão (165º), Sudão do Sul (163º), Angola (163º), Líbia (161º), Venezuela (158º) e Guiné-Bissau (159º). 

 

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