Processo de impeachment

Atos pelo Dia do Trabalho se transformam em palcos pró e contra impeachment

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

  • Paulo Castro/Estadão Conteúdo

    Manifestantes contrários à presidente Dilma e grupos ligados à CUT se enfrentaram durante eventos do 1° de Maio em Belém

    Manifestantes contrários à presidente Dilma e grupos ligados à CUT se enfrentaram durante eventos do 1° de Maio em Belém

As principais manifestações pelo Dia do Trabalho no Brasil, comemorado neste domingo (1º), se transformaram em palcos de críticas a favor e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Em São Paulo, eventos realizados pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) – contra o impeachment -, e pela Força Sindical – a favor-- foram marcados por trocas de acusações entre políticos. A presidente Dilma e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foram os principais alvos.

Manifestações em pelo menos 15 Estados foram realizadas por centrais sindicais. Em Belém, grupos pró e contra o impeachment chegaram a se enfrentar, mas não há dados sobre a gravidade do conflito.

Pró-Dilma

Em Fortaleza, em ato realizado pela CUT, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse que se o impeachment for aprovado no Senado e o vice-presidente Michel Temer (PMDB) assumir, o PT não "dará sossego" ao novo governo. "Se o golpe passar e Temer assumir, não vamos dar sossego. Vamos parar as ruas", disse.

Em Porto Alegre, em outro ato realizado pela CUT, o prêmio Nobel da Paz Adolfo Esquivel chamou o processo de impeachment contra Dilma de "golpe brando". "É importante a união dos trabalhadores e do povo nesse momento frente aos golpes de Estado 'brandos'. Não queremos mais golpes de Estado", afirmou.

Em São Paulo, parlamentares governistas e a própria presidente Dilma Rousseff (PT) aproveitaram o ato realizado pela CUT no Vale do Anhangabaú para criticar o processo de impeachment e atacar oposicionistas.

"Como eu não tenho conta no exterior, como eu jamais utilizei recursos públicos em causa própria, nunca embolsei dinheiro do povo brasileiro, não recebi propina e nunca fui acusada de corrupção, eles tiveram que inventar um crime [...] Como estava difícil achar um crime, eles começaram dizendo que eram seis decretos. Eu, em 2015, fiz seis decretos chamados de suplementação. O Fernando Henrique Cardoso (PSDB), no ano de 2001, fez 101 decretos de suplementação. Pra ele, não era golpe", afirmou. "É constrangedor e aí, eu quero que vocês pensem comigo, ora, se não tem base para o impeachment, o que é que está havendo? É Golpe", disse a presidente.

Oposição

Ainda em São Paulo, na região do Campo de Bagatelle, um evento realizado pela Força Sindical, entidade a favor do impeachment de Dilma, reuniu líderes sindicais e parlamentares de oposição. Entre os políticos que participaram do evento estavam o presidente nacional do Solidariedade, Paulinho da Força (SP), os deputados Mendonça Filho (DEM-PE), Antônio Imbassahy (PSDB-BA), Rubens Bueno (PPS-PR) e a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP).

Para Paulinho, o "pacote de bondades" anunciado por Dilma neste domingo, que inclui reajuste de 9% nos benefícios do Bolsa Família, correção da tabela do imposto de renda sobre pessoa física de 5% e ampliação da licença paternidade para funcionários públicos federais de 5 para 20 dias são um ato de desespero e vingança.

"Parece um pouco de vingança porque ela deveria ter feito o reajuste dessas questões durante o seu governo. Agora que o governo acabou, ela quer fazer algum gesto, mas aquém do que a gente esperava", disse. "Ela já não consegue mobilizar mais ninguém. O povo já não acredita mais nela. Isso parece uma vingança por tudo o que está acontecendo com ela do que qualquer outra coisa", completou Paulinho.

A senadora Marta Suplicy, que foi vaiada ao discursar no evento da Força Sindical, concordou com Paulinho. "O reajuste pode ser feito, está previsto no orçamento, mas não deve ser feito no desespero, ou para deixar uma marca. Mostra uma postura do governo em atrapalhar a transição" disse.

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