Governadores prometem pressão e falam em NE ingovernável sem Bolsa Família

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Alisson Frazão/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

    Governadores dos Estados do Nordeste se reúnem em Maceió

    Governadores dos Estados do Nordeste se reúnem em Maceió

Os governadores do Nordeste manifestaram, nesta quinta-feira (19), preocupação com a possibilidade de cortes no programa Bolsa Família e chegaram a citar o risco dos estados da região ficarem "ingovernáveis" sem os benefícios, especialmente em época de seca. Hoje, metade das 13,9 milhões de famílias de beneficiárias é da região.

O tema foi um dos pontos centrais da reunião dos governadores, em Maceió. A manutenção de programas sociais fez parte de uma carta assinada pelos nove chefes de Estado da região. Integrantes do governo interino -- como o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles -- têm dito que haverá uma reavaliação dos programas sociais.

Os governadores prometeram lutar arduamente para evitar qualquer tipo de redução da verba.

"Vamos blindar [essa proposta de redução] com a pressão dos governadores. Não podemos abrir mão do Bolsa Família; que foi uma conquista para o nosso povo numa região marcada pelas desigualdades sociais. Você imagine, nesse estado de seca, um produtor rural perder sua lavoura, seu rebanho? Como vai comer? Se não for o Bolsa Família, vão invadir, como no passado, supermercados; vão saquear feiras; ou seja, vai ficar ingovernável para quem tiver á frente do Estado", afirmou o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD).

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse que existe um nítido temor nos governantes da região com o futuro do programa.
"Hoje, os nove governadores deixaram bem evidente o receio. Quando você dogmatiza o suposto ajuste fiscal passamos a ter esse risco. Temos assistido manifestações de ministros interinos muito contraditórias: já se falou em limitação do Sistema Único de Saúde, em restrição ao Bolsa Família, e são questões muito preocupantes", afirmou.

Para o governador pernambucano Paulo Câmara (PSB), é preciso diálogo com o governo federal para aprimorar e beneficiar mais pessoas no programa. "Eu discordo de qualquer redução. Acho que a gente pode trabalhar no aprimoramento dos projetos sociais, podendo até gastar a mesma coisa e fazendo mais. Isso é um desafio do governo atual, fazendo com que essas conquistas cheguem a mais pessoas com o mesmo nível de recursos. Aí cabe criatividade, determinação e cabe muito diálogo. E é o que esperamos desse governo", afirmou.

O petista Wellington Dias, governador do Piauí, disse que os governadores devem ser intransigentes na luta pela manutenção do programa.
"O que defendo é que a gente tenha uma posição firme, principalmente nós governadores do Nordeste, na defesa dessas conquistas sociais no Nordeste, especialmente da parte mais pobre", alegou.

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, lembrou que o projeto de Dilma e Temer na eleição era manter e ampliar o programa. "Votei em um projeto que inclui um generoso projeto social. Independente de quem governe, não se pode abrir mão das conquistas sociais. Isso é uma luta nossa", destacou. 

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