Alan Marques/Folhapress

Processo de impeachment

Temer foi uma má escolha para vice-presidente, diz Dilma a TV americana

Do UOL, em São Paulo

  • Ruy Baron/Folhapress

    Os presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer

    Os presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer

A presidente afastada, Dilma Rousseff, afirmou em entrevista ao jornalista Paulo Cabral, da CCTV America, que o presidente interino Michel Temer não tem lealdade e foi uma má escolha como companheiro de chapa. 

"Em retrospectiva, eu penso que foi uma má escolha. Foi uma má escolha, porque você não pode supor, você não pode julgar, o caráter de certas pessoas, a menos que você esteja em uma situação extrema, quando seu caráter é posto à prova. Por isso, foi uma má escolha, porque, de fato, o vice-presidente [Temer] realmente não possui as condições básicas para ser um presidente. A Presidência exige lealdade acima de tudo. Ele não tem essa qualidade", afirmou Dilma.

Divulgada pela TV norte-americana na tarde desta sexta-feira (20), a entrevista foi realizada no Palácio da Alvorada, em Brasília, residência oficial da Presidência da República. 

Durante a entrevista, Dilma acusou o presidente interino Michel Temer de querer retirar direitos sociais adquiridos. Ela voltou a afirmar que o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é "o líder do golpe" que resultou em seu afastamento temporário, por pelo menos 180 dias. Ela também voltou a afirmar "o preconceito por ela ser mulher" foi um dos fatores determinantes de seu processo de impeachment.

Outro argumento já utilizado pela presidente afastada é o de que não cometeu crime de responsabilidade, e nem é acusada de envolvimento em casos de corrupção. 

"Agora estou no ponto em que eu tenho que lutar. E eu acredito que isso vai ser uma luta pelo meu país. É por isso que eu sei que eu tenho que lutar. Não só para a minha Presidência. É claro que é por isso, também. Mas acima de tudo, porque no Brasil não só é a democracia que está sendo ameaçada, mas todas as nossas realizações até agora estão sendo ameaçadas." 

Popularidade

As medidas adotadas para enfrentar a crise econômica foram apontadas por Dilma como justificativa para sua baixa popularidade do início de segundo mandato, em 2011, até seu afastamento temporário determinado pelo Senado. "Nenhum país foi capaz de superar ou enfrentar uma crise por fingir que não existia. Tivemos que fazer alguns ajustes. O Brasil é uma democracia, por isso, reformas e ajustes eram vistos como algo muito negativo. Agora podemos ver que fizemos reformas e ajustes sem tirar os direitos dos cidadãos."

Sobre os Jogos Olímpicos que serão realizados em agosto no Rio de Janeiro, a presidente afastada declarou poderá participar como presidente, mesmo não sendo exercendo o cargo. "Eu ficaria muito triste por não ser capaz de participar em tudo isso como presidente." 

O Senado afastou Dilma da Presidência. Saiba os próximos passos do processo

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