Operação Lava Jato

"Estão banalizando o pedido de prisão", diz defesa de Jucá e Sarney

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

  • Alan Marques/Folhapress

    Janot fez pedidos de prisão contra Jucá (à esq.), Sarney (centro) e Renan

    Janot fez pedidos de prisão contra Jucá (à esq.), Sarney (centro) e Renan

O advogado do ex-presidente e ex-senador José Sarney (PMDB-AP) e do senador Romero Jucá (PMDB-RR), Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, criticou nesta terça-feira (7) o pedido de prisão contra seus clientes feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF (Supremo Tribunal Federal).

"Estamos banalizando o instituto da prisão preventiva. É muito grave pedir prisão preventiva de um ex-presidente da República porque ele deu uma opinião", afirmou Kakay.

O advogado, que está em Londres, disse que irá antecipar sua volta ao Brasil para cuidar do caso.

Em nota, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também foi alvo de pedido de prisão, classificou a atitude de Janot de "desarrazoada, desproporcional e abusiva"

O procurador fez pedidos de prisão contra Jucá, Sarney, Renan e o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

De acordo com o jornal "O Globo", a base do pedido de prisão de Renan, Jucá e Sarney é as gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado antes da homologação de sua delação premiada.

Ouça trechos das conversas de Jucá

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Nessas gravações, divulgadas em maio, o trio aparece em diferentes situações falando sobre estratégias para lidar com a Operação Lava Jato. Em uma das gravações, Jucá sugere que é preciso fazer um "pacto" para "estancar a sangria" causada pela Operação Lava Jato.

Em outra gravação, Sarney promete ajudar Machado, mas sem a interferência de advogados. Em outro trecho, o ex-presidente demonstra preocupação com a eventual delação premiada da Odebrecht. Segundo ele, o conteúdo da delação seria equivalente a "uma metralhadora  de ponto 100".

Kakay voltou a dizer que não há indícios nas gravações feitas por Machado de Jucá ou Sarney tentaram impedir os trabalhos da Operação Lava Jato.

"Nada justificaria, no meu ponto de vista, sequer uma investigação. Eles deram as opiniões deles. É um direito que eles têm. Não podemos começar a criminalizar a opinião. Prefiro acreditar que não existe o pedido [de prisão]. Mas se houver, não acredito que o STF cometerá um ato de tal gravidade", disse o advogado.

Kakay disse que vai solicitar novamente o acesso à delação de Machado e ao pedido de prisão contra Jucá e Sarney. "Tudo o que sei sobre o assunto é o que saiu na imprensa. Já pedi acesso à delação na semana passada, mas meu pedido foi negado", disse. 

Defesa de Renan

Em nota, Renan diz que "que não praticou nenhum ato concreto que pudesse ser interpretado como suposta tentativa de obstrução à Justiça, já que nunca agiu, nem agiria, para evitar a aplicação da lei".

Em uma das gravações, Renan chama Janot de "mau caráter" e diz que trabalhou para evitar a recondução do procurador ao cargo. Em outra gravação, Renan defende a mudança na legislação sobre as delações premiadas.

"Apesar de não ter tido acesso aos fundamentos que embasaram os pedidos, o presidente do Congresso Nacional reitera seu respeito à dignidade e autoridade do Supremo Tribunal Federal e a todas às instituições democráticas do país. O presidente do Senado está sereno e seguro de que a nação pode seguir confiando nos Poderes da República", diz o texto.

Ouça a conversa gravada de Renan

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