Ex-governador de MG e ministro durante a ditadura, Rondon Pacheco morre aos 96

Renata Tavares

Colaboração para o UOL, em Uberlândia (MG)

  • Jornal Correio de Uberlândia

    Ex-governador de Minas, Rondon Pacheco morre aos 96 anos

    Ex-governador de Minas, Rondon Pacheco morre aos 96 anos

O ex-governador de Minas Gerais Rondon Pacheco morreu na madrugada desta segunda-feira (4), em Uberlândia (a 537 km de Belo Horizonte), aos 96 anos. Foi chefe do Executivo do Estado durante os tempos de ditadura militar, em 1970.

Ele estava em casa após ter ficado internado por 21 dias devido a uma pneumonia. 

O velório acontece no Palácio dos Leões, em Uberlândia, que funciona como museu da cidade e antiga prefeitura, na região central. Rondon Pacheco deixa a mulher, Marina de Freitas Pacheco, e duas filhas, Vera e Maria Vitória.

Acervo Rondon Pacheco
Rondon Pacheco com os netos, Rondon e Adriana, em 1970
Em 2012, uma produtora de vídeos fez o documentário "Algodão entre Espelhos", sobre sua trajetória política. Na entrevista do filme, ele se diz "realizado" enquanto político. "Eu acho que cumpri meu dever, apenas cumpri meu dever. Tive sustentação política para isso, cheguei a aspirar o Senado, mas não consegui por forças de circunstâncias legais, devido ao monopólio da legenda. Mas eu me considero um político realizado, fiz o que pude junto a presidentes, governadores e bancadas."

Trajetória política

A carreira de Rondon Pacheco começou quando ainda era estudante de direito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Em uma entrevista a uma revista local, disse que foi durante o discurso de orador da turma, em 1943, que descobriu a vocação política.

Em 1947, se tornou deputado estadual pela UDN e, em 1950, se elegeu deputado federal no Rio de Janeiro, naquela época a capital do país. Já entre os anos de 1967 e 1969 foi chefe do gabinete civil do então presidente Arthur Costa e Silva. Foi a época do avanço da ditadura militar e do endurecimento da repressão policial-militar contra todos os movimentos, grupos e focos de oposição.

Em 1968, esteve presente na reunião do Conselho de Segurança Nacional para a edição do Ato Institucional nº 5, o AI-5. Foi então que todas as liberdades democráticas e direitos constitucionais foram suspensos. O ex-governador dizia que havia se posicionado contrariamente à repressão e que na época sugeriu que o ato durasse apenas um ano, mas que Costa e Silva teria vetado a ideia.

Três anos depois, o político assumiu o governo de Minas Gerais. O ex-governador foi responsável pela implantação de grandes indústrias em Minas Gerais, como a Fiat. A fábrica foi instalada em 1973, após ele assinar o protocolo de intenções com empresa.

Rondon Pacheco filiou-se ao PDS (Partido Democrático Social) em 1976 e, em 1985, após as Diretas Já, votou no candidato oposicionista Tancredo Neves. Em 1986, deixou os cargos públicos após perder a eleição para senador.

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