De crítico a entusiasta: veja como a opinião de Serra em relação à China mudou

Do UOL, em Brasília

A polêmica gerada nas redes sociais após o presidente Michel Temer (PMDB) comprar um par de sapatos durante sua viagem à China levantou a questão sobre a mudança do posicionamento de integrantes da comitiva do governo ao país que é hoje o principal parceiro comercial do Brasil.

Temer viajou à China na semana passada para participar da cúpula do G20, sua primeira viagem como chefe de Estado após o Senado aprovar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). No último domingo (4), Temer foi a um shopping chinês e comprou um par de sapatos e um "cachorro-robô" de brinquedo.

A foto de Temer experimentando sapatos na China causou polêmica em parte por conta das constantes reclamações de fabricantes de calçados brasileiros sobre o aumento das importações de sapatos chineses.

Questionado sobre a compra, Temer disse que o salto de seu sapato anterior havia quebrado. "Meu sapato quebrou, quebrou o salto. E, daí, tive que comprar o sapato", disse o presidente.

Apesar da polêmica, o presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Heitor Klein, negou que o episódio tenha criado algum mal-estar entre o setor e o presidente. Klein disse que, na próxima vez que encontrar o presidente, irá entregar um par de sapatos fabricados no Brasil a Temer. 

A foto de Temer comprando sapatos na China e a polêmica que se seguiu fez voltar à tona uma frase dita pelo então candidato à Presidência da República e hoje ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB), em 2010.

Na ocasião, ele criticava o fato de o Brasil "vender couro" e comprar sapatos da China. Curiosamente, Serra, que se destacou nos últimos anos como um dos mais ferrenhos críticos à condução das relações entre Brasil e China, vem acumulando declarações mais moderadas sobre o tema desde que assumiu o posto máximo do Itamaraty.

Relembre algumas frases do ministro sobre a China:

Sina Weibo account of CRI News Radio
Temer compra sapatos na China e causa polêmica nas redes sociais

Comércio entre Brasil e China

Vendemos o couro para que eles façam os sapatos e nos vendam. Isso é um absurdo. Nós estamos nos especializando em exportar empregos"

José Serra em 2010, durante um evento de sua campanha à Presidência da República

O Brasil não tem que ter preconceito contra a exportação de produto primário, não. Nós temos capacidade, como tiveram os EUA, de exportar as duas coisas"

José Serra em palestra na Fiesp em junho de 2016

China como economia de mercado

A troco de nada, o deslumbramento do governo Lula com a China levou-o a reconhecê-la como 'economia de mercado', dando mais proteção às suas práticas desleais de comércio" 

José Serra, no artigo "Negócio da China", publicado em 2011

É importante a questão do reconhecimento do mercado. Mas o mundo inteiro está na expectativa desse assunto e o Brasil vai agir como observador e seguir a média mundial nessa matéria"

José Serra, durante palestra para empresários na Fiesp, em junho de 2016

Parcerias Brasil-China

O país está desaparelhado para a nova realidade do comércio internacional, caracterizado por toda sorte de ações de concorrência desleal, sobretudo por parte da China"

Trecho do programa de governo de Serra para as eleições presidenciais de 2010

A China, a meu ver, tem que merecer um tratamento especial nosso. Temos que ter uma área especial dentro do Itamaraty dedicada à China [...] Temos que tratar a China...puxa...é o nosso principal parceiro comercial"

José Serra, em palestra na Fiesp, em junho de 2016

Investimentos chineses no Brasil

Como os chineses são espertos, não lhes custará fazer uma concessão aqui ou ali em matéria de investimentos que envolvam maior valor agregado e alguma tecnologia nova. Mas só um pouquinho"

José Serra, no artigo "Negócio da China", publicado em 2011

Nos interessa bastante"

José Serra, no dia 2 de setembro deste ano, durante reunião do G20, na China, sobre demonstração do primeiro-ministro chinês, Xi Jinping, de continuar a investir em infraestrutura no Brasil.

Beto Barata/PR
Ao lado ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, do presidente Temer e de autoridade da Arábia Saudita, José Serra (à direita) participou da Cúpula do G20

O UOL solicitou ao Itamaraty que comentasse as declarações de Serra, mas não obteve resposta até a tarde desta segunda-feira (5).

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