Você deve ter visto essa foto da manifestação. Mas não é bem o que parece

Fausto Carneiro

Colaboração para o UOL, em Brasília

  • Reprodução/Gisele Arthur

    A foto da jornalista Gisele Arthur, de Brasília, viralizou no dia seguinte ao confronto entre policiais e manifestantes em Brasília

    A foto da jornalista Gisele Arthur, de Brasília, viralizou no dia seguinte ao confronto entre policiais e manifestantes em Brasília

A jornalista Gisele Arthur, de Brasília, ainda tentava entender na quarta-feira (30) a repercussão da foto que fez de um evento na Câmara dos Deputados no exato instante em que a polícia jogava bombas de gás contra manifestantes do lado de fora do Congresso na noite de terça, durante a votação do projeto de medidas contra a corrupção.

Na foto, participantes de um coquetel próximos a uma das janelas de vidro da Câmara parecem alheios à explosão das bombas e à correria de manifestantes junto ao espelho d'água do Congresso, a poucos metros de distância do evento.

"Não imaginava que essa foto ia rodar o mundo. Foi uma loucura. Até jornalista dos Estados Unidos ligou para mim", disse ao UOL a autora, explicando que a imagem não era exatamente de descaso, como se pensou.

Embora a foto mostre a maior parte das pessoas alheia ao que ocorria do lado de fora do Congresso, Gisele disse que a confusão assustou quem estava no evento e em outras dependências da Câmara. "Os deputados no café estavam todos olhando. Mas ao mesmo tempo, eu achei aquilo muito louco, o vidro, a manifestação lá fora".

Apesar do que saiu publicado em alguns blogs e sites, que chegaram a afirmar que havia champanhe e caviar no evento, a jornalista diz que só tinha suco e salgadinhos no coquetel servido após a entrega do prêmio "Selo de Participação Legislativa", promovido pela Câmara como "uma singela homenagem" às entidades que contribuem com proposições e ideias para o Legislativo.
 
Alan Marques / Folhapress
Manifestação na terça-feira em Brasília teve vandalismo e repressão
Na premiação deste ano, foram homenageadas entidades em quatro categorias: maior número de sugestões apresentadas à Câmara, maior taxa de sucesso na aprovação de propostas feitas, relevantes serviços prestados à sociedade e maior número de inscritos em seminários e audiência públicas sugeridos ao Legislativo.

Gisele afirmou que fez a foto ao ir ao cafezinho da Câmara, onde deputados costumam se reunir no intervalo das sessões. Ela desceu uma escada que dá no Salão Nobre da Casa e se deparou com as pessoas no evento.

"Estavam entregando troféu, aí começou aquele negócio do gás lacrimogêneo. Eu tinha ido para tirar uma foto da manifestação. Aí, quando eu voltei, eu subi a escada e vi aquelas pessoas. Dei dois cliques com o celular. A foto nem é boa", afirmou.

A jornalista, que tem uma empresa de comunicação e estava na Câmara para acompanhar a votação do projeto de medidas contra a corrupção, disse que não imaginava a repercussão que a imagem ganharia. Não tinha noção do que ia acontecer. Trabalhei até as 4h da manhã".

Ela disse que postou a foto cerca de dez minutos após tirá-la. Algum tempo depois, um jornalista amigo que tinha reproduzido a imagem na conta dele no Twitter ligou para ela e disse que a foto já tinha mais de dois mil comentários.

Depois, Gisele afirmou ter recebido diversas ligações e mensagens de gente falando da imagem. Uma amiga disse ter visto a foto no grupo da família do marido. Outro recebeu do filho de um amigo que mora nos Estados Unidos.

"Eu estou experimentando uma coisa nova, que é ser 'vítima da internet', viralizar", comentou ela.

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