Indireta a Trump? "Somos um país aberto ao mundo", diz Temer

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

O presidente Michel Temer (PMDB) deu nesta terça-feira (31) um recado aos investidores que queiram mudar a rota dos Estados Unidos para o Brasil em virtude das incertezas diplomáticas geradas pelo recém-empossado presidente norte-americano, Donald Trump: "Somos um país aberto para o mundo".

Sem citar nominalmente o colega norte-americano, as declarações de Temer a uma plateia composta por investidores e políticos estrangeiros, em um hotel da zona sul de São Paulo, foram feitas em meio à tentativa de Trump de deportar refugiados dos Estados Unidos, de barrar de cidadãos de sete países muçulmanos e ainda de construir um muro na divisa com o vizinho México.

"Diante de incertezas na cena internacional, o Brasil afirma-se como espaço especialmente atrativo para os negócios. Somos uma democracia plural, livre de conflitos étnicos ou religiosos. Somos um país aberto para o mundo", afirmou Temer.

De família libanesa, o peemedebista ainda pontuou que o país "se formou exata e precisamente pela imigração, por aqueles que vieram ao Brasil, das mais diferentes raças, das mais variadas tendências e construíram o nosso país. Também com nossos vizinhos, nós convivemos em paz há muitíssimos anos".

Reprodução/Twitter
Temer falou para uma plateia composta por investidores e políticos estrangeiros

Defesa das reformas trabalhista e previdenciária

Em meia hora de discurso, Temer defendeu as reformas trabalhista e previdenciária como alternativas que ajudem o país a sair da recessão.

"Não estamos preocupados com medidas populistas, de efeito imediato, só que de resultado incerto, mas com medidas populares, que, apesar das dificuldades [para implementação], se revelam benéficas", disse.

O evento em que Temer discursou, o "Latin America Investment Conference", acontece hoje e amanhã com investidores estrangeiros e brasileiros na plateia, e, entre os palestrantes, nomes como o do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, do ex-primeiro-ministro britânico John Major, do presidente da Petrobras, Pedro Parente, e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles --que faz o encerramento.

"A readequação das leis trabalhistas é peça-chave nessa agenda. A CLT [Consolidação das Leis Trabalhistas] é de 1943. Precisamos dessa modernização e fazer com que a convenção coletiva possa prevalecer", afirmou.

De interesse direto do investidor privado, as concessões em 34 áreas da economia brasileira também foram colocadas pelo peemedebista como parte da solução para estancar o que ele classificou como "crise de proporções inéditas que o governo herdou".

As alfinetadas na gestão da antecessora Dilma Rousseff foram disparadas também sobre os aspectos éticos da ação política. Temer mencionou a "roubalheira perversa que buscou ignorar ao longo tempo", ainda que sem citar o partido de Dilma, o PT, ou ela própria.

"Agora é a democracia da eficiência; as pessoas querem a eficiência do serviço público e até da política, sob o aspecto ético", definiu.

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