Dilma fala em "segundo golpe" para evitar candidatura de Lula em 2018

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Monteiro (PB)

  • Beto Macário/UOL

    Dilma e Lula participam da "inauguração popular" da transposição do rio São Francisco

    Dilma e Lula participam da "inauguração popular" da transposição do rio São Francisco

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou, neste domingo (19), em Monteiro (PB), que um "segundo golpe" está sendo articulado para impedir a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência em 2018.

"Estou aqui para dizer, assim como vieram aqui e contaram mentiras da transposição, eles contarão mentiras para que não tenhamos eleições livres, abertas, amplas. Impedirão? Não! O povo desse país não suporta um segundo golpe. Esse segundo golpe é impedir que os candidatos populares sejam colocados à disposição do povo. O Lula é um desses. Vamos nos encontrar com a democracia. É o único jeito da gente lavar a alma do povo", disse.

Lula é réu em cinco processos e correr o risco de ficar inelegível em 2018 caso seja condenado em segunda instância.

Ao lado de Lula, de governadores, senadores e deputados que o apoiam, Dilma fez a "inauguração popular" do eixo leste da transposição do rio São Francisco, que fora inaugurado oficialmente pelo presidente Michel Temer (PMDB) no último dia 10. A paternidade da obra, que começou a sair do papel em 2007, no primeiro governo Lula, virou tema de debate nos últimos dias.

Nós precisamos da água da democracia para que esse país tenha a alma lavada. Vamos nos encontrar numa eleição direta em 2018

Dilma Rousseff

Em seu discurso, Lula que os seus opositores "rezem" para que ele não seja candidato à Presidência em 2018. "Nem sei se estarei vivo para ser candidato em 2018, mas sei que o que eles querem é tentar evitar que eu seja candidato. E está longe para decidir candidatura. Só quando tiver convenção do partido", disse o petista.

"Agora, Ricardo [Coutinho (PSB), governador da Paraíba], quero olhar para sua cara, olhar na cara desse povo, olhar na tua cara, Dilma [Rousseff], e dizer: eles [que] peçam a Deus para eu não ser candidato! Porque se eu for, é para ganhar (...) Porque sei colocar o povo para sonhar com emprego e a salário. Pelo amor de Deus, não prejudique o povo brasileiro ", declarou Lula.

"Eles que peçam a Deus para eu não ser candidato", diz Lula

Para Dilma, o "golpe" que a derrubou "ainda está em curso". "Esse golpe não acaba aí. Ele continua. Nós todos aqui temos um encontro com a democracia em outubro de 2018. É quando nós vamos discutir o destino desse país. Eles sabem que se deixarem-nos conversar com o povo, esclarecer o povo, nós ganharemos essa eleição", afirmou.

"Nós seremos, possivelmente com o presidente Lula, grandes competidores. Nós não achamos que temos de ganhar todas as eleições. Quem acredita na democracia sabe perder. Nós sabemos perder", completou.

Lula e Dilma também receberam a medalha Epitácio Pessoa, que é a mais alta comenda da Assembleia Legislativa da Paraíba.

Antes, os dois passaram por Campina Grande, também na Paraíba, que será uma das cidades beneficiadas com as águas da transposição.
Na chegada a Monteiro, Lula, Dilma e a comitiva foram até a entrada da cidade e viram o canal e chegaram. Um grande número de militantes e admiradores dos ex-presidentes receberam a comitiva aos gritos de "olê, olá, Lula, Lula" e de "Lula guerreiro do povo brasileiro".

Beto Macário/UOL
Multidão acompanha discursos dos ex-presidentes Lula e Dilma

A ex-presidente chamou de "cara de pau" de políticos que inauguraram a transposição no último dia 10.

"Esse país assistiu mais uma mentira recentemente. Vejam a cara de pau em dizerem que uma obra do tamanho da transposição do tamanho dessa podia ser feito, resolvida, em seis meses. A cara de pau é a mesma da mentia feita no meu impeachment. Ela estava praticamente concluída quando conclui o governo", afirmou.

Dilma ainda falou sobre o momento político e criticou a proposta de reforma da Previdência.

"Nós estamos vivendo um momento muito difícil. Eles sabem que por quatro eleições nós ganhamos eleições porque nunca apresentamos um projeto como esse da aposentadoria, que faz com que o povo brasileiro precise começar a trabalhar aos 16 anos, na melhor hipótese; e aos 9, na pior. Isso porque, se eles exigem 49 anos de contribuição e idade mínima de 65 anos, se a gente diminuir, dá 16. Mas se lembrar que muitas vezes fica desempregada, não tem carteira assinada, a média disso é sete anos."

Beto Macário/UOL
Lula discursa em 'inauguração popular" da transposição do rio São Francisco

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