Operação Lava Jato

Pente-fino nos ônibus e distância do Fórum: a segurança no interrogatório de Lula

Janaina Garcia

Do UOL, em Curitiba

  • Pedro Ladeira/Folhapress

O esquema de segurança montado em Curitiba para o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Justiça Federal prevê o isolamento, no centro da cidade e na região do Centro Cívico, respectivamente, dos grupos pró e anti Lula na próxima quarta-feira (10).

A distância do Fórum do grupo de simpatizantes ao petista será de quase 5 quilômetros – quase o dobro dos 2,7 quilômetros em que os anti-Lula ficarão.

A quarta-feira será o dia em que o petista vai depor ao juiz da 13ª Vara Federal do Paraná, Sergio Moro, em um dos processos nos quais é réu no âmbito da operação Lava Jato.

Na tarde dessa quinta (4), a Secretaria de Segurança Pública do Paraná reuniu as polícias Federal, Rodoviária Federal e Militar para detalhar as atribuições de cada uma. De acordo com o secretário Wagner Mesquita, o encontro definiu ainda um reforço não só no policiamento da cidade, a partir da semana que vem, como na fiscalização de ônibus que chegarem à cidade com os manifestantes.

Segundo Mesquita, "a ideia é que não haja contato entre grupos antagônicos". Na região da Justiça Federal, afirmou, haverá bloqueios em um raio de 150 metros de modo que somente moradores cadastrados e profissionais de imprensa previamente cadastrados tenham acesso. O prédio da Justiça, nesse dia, terá o expediente fechado ao público – à exceção dos trabalhos de depoimento de Lula, aos quais terão acesso apenas representantes do judiciário, do MPF (Ministério Público Federal) e da defesa do petista, que, até o momento, conforme o secretário, não pediu escolta – prerrogativa da qual ele poderia usufruir como ex-presidente --, nem informou horário e dia de chegada à capital paranaense. O perímetro interno do Fórum será monitorado pela PF.

"A previsão que nós temos, que foi repassada pelo Gabinete de Segurança Institucional, é que ele vai usar os seus os seus seguranças, mas ele não solicitou escolta; até então é o que nós temos. Ele pode solicitar escolta; se vier a solicitar, vamos avaliar", acrescentou o secretário.

Sobre os ônibus que vierem, sobretudo os de outros Estados, Mesquita afirmou que a meta é reforçar também a fiscalização sobre eles --o que deve ser feito, a princípio, pela Polícia Rodoviária Federal.

"Estamos preparando o esquema, ainda não finalizado, para que os ônibus que vierem, sejam 30, 300 ou 3 mil, eles fiquem parados de maneira que não criem contratempo com os moradores. Separamos um local para estacionarem, mas qualquer deslocamento interestadual tem que ser informado à ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres]. Só está autorizado o trânsito comercial com autorização da ANTT – não vamos abrir mão da prerrogativa policial de efetuar qualquer revista se for necessária", afirmou Mesquita.

Membro da equipe do governador Beto Richa (PSDB), o secretário adiantou que questões como documentação dos veículos com manifestantes, licença junto à ANTT e "bom estado mecânico" serão observadas na fiscalização da PRF dentro da cidade e já desde as rodovias de acesso a Curitiba.

Questionado sobre o estacionamento improvisado aos ônibus com militantes pró-Lula, Mesquita não detalhou o local e disse não haver ainda uma estimativa de público, mas afirmou que, em função de "uma rede grande de informações" de que disporia – e após contatos com movimentos opostos, observou --, será "em uma região próxima ao centro e que permita o deslocamento a pé [dos manifestantes], mas não venha a atrapalhar" a rotina do trânsito curitibano.

"Pode ser que a PRF organize comboio desses ônibus para eles não atrapalharem", definiu.

Representantes do Exército também participaram da reunião dessa quinta, a convite da Sesp, mas na condição de "ouvinte".

Manifestantes ficarão em pontos tradicionais de protestos políticos

Os locais para onde os manifestantes devem ser direcionados são tradicionais palcos de protestos políticos na capital curitibana.

A Boca Maldita, por exemplo, na rua XV de Novembro, no centro, é um dos principais pontos em que candidatos fazem campanhas no período eleitoral. Em 1984, o local foi o palco para os comícios pelas Diretas Já –que pediam eleições gerais e diretas no Brasil, já no fim da ditadura militar. Nomes como o do deputado Ulysses Guimarães e do ex-presidente Tancredo Neves estiveram em pelo menos um desses comícios na Boca.

O Centro Cívico --onde estão órgãos como Prefeitura, Palácio Iguaçu (sede do governo paranaense), Assembleia Legislativa e Ministério Público --também é marcado por atos políticos –seja o de discursos de candidatos recém-eleitos, como o atual prefeito, Rafael Greca, seja por atos como o que ficou marcado na história do Estado pela alcunha "Massacre do Centro Cívico", quando policiais militares reagiram com forte repressão a professores e estudantes que protestaram contra mudanças na previdência de servidores estaduais. O caso aconteceu em 29 de abril de 2015 e tem sido lembrado, ano a ano, desde então.

Triplex no Guarujá

O ex-presidente será ouvido por Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, às 14h, no âmbito da ação penal em que é acusado de receber, como forma de propinas da empreiteira OAS, R$ 3,7 milhões. Os valores do tríplex no condomínio Solaris, no Guarujá, e das reformas, como elevadores e cozinha de luxo, estão incluídos no montante das vantagens indevidas, sustenta o MPF. A defesa de Lula tem negado que ele seja o dono do apartamento.

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