Secretário do PR rejeita ideia de que segurança de Lula tenha sido exagero

Rafael Moro

Colaboração para o UOL, em Curitiba

  • Daniel Derevecki/Foto Arena/Estadão Conteúdo

    10.mai.2017 - Policiamento reforçado em frente à Justiça Federal durante o depoimento do ex-presidente Lula para Justiça Federal em Curitiba

    10.mai.2017 - Policiamento reforçado em frente à Justiça Federal durante o depoimento do ex-presidente Lula para Justiça Federal em Curitiba

O secretário da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná, Wagner Mesquita de Oliveira, considerou que a operação de segurança montada para o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz federal Sergio Moro ontem (10), em Curitiba, "atingiu plenamente seus objetivos".

Ele rejeitou a impressão de que a estrutura montada --que envolveu 3.000 agentes, dos quais 1.700 policiais ostensivamente nas ruas, atiradores de elite postados em edifícios próximos ao da Justiça Federal, o uso de quatro helicópteros, o bloqueio de várias ruas da capital paranaense-- tenha sido exagerado. Ele também não soube informar qual o custo da operação.

"Não era somente a oitiva de um acusado. Não era um réu qualquer. Era um ex-presidente da República, com tudo que o envolve. Tínhamos a informação de que poderiam chegar 60.000 pessoas [a Curitiba] com ideias antagônicas e possibilidade conflito muito grande. Havia mensagens em redes sociais [com conteúdo] de explícita animosidade, anunciando depredação ao patrimônio e lesões corporais", argumentou.

"Esperávamos 300 ônibus e 60.000 pessoas. Vieram cerca de 200 ônibus, ao todo, e 6.000 manifestantes", informou Mesquita. Ele disse que o esquema poderá ser repetido, "com maior ou menor proporção", no próximo depoimento de Lula na cidade --ele é réu em mais um processo derivado da operação Lava Jato.

Segundo Mesquita, não houve registro de incidentes graves na cidade. A tal ponto que mereceram menção, na entrevista à imprensa, dois episódios de rojões estourados: um próximo à Justiça Federal, na terça-feira (9) à tarde, e outro no acampamento destinado a manifestantes a favor do ex-presidente, "que ainda está sendo investigado, pois não se sabe se foi lançado de dentro ou de fora".

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) sustenta que o artefato, que feriu duas pessoas, foi atirado de um viaduto ao lado do local do acampamento. Houve ao menos um terceiro caso, porém. Um rojão estourou, por volta das 12h de quarta-feira, ao lado do hotel Pestana, aonde supostamente iria Lula e em que estavam hospedados líderes do PT. Mesquita disse desconhecer a ocorrência. O coronel Péricles de Matos, chefe do 1º. comando regional da polícia militar, disse que o caso foi registrado, mas o autor é desconhecido, tal qual o do disparo feito contra o acampamento do MST.

O responsável pelo artefato disparado ao lado da Justiça Federal foi preso, e segundo o secretário não tem envolvimento com nenhum movimento social ou político.

Além disso, a operação apreendeu "algumas" facas, facões e foices com integrantes do MST que chegavam a Curitiba. Uma arma de fogo foi apreendida com um homem que circulava próximo ao acampamento do MST, que segundo Mesquita não tem ligação com movimentos favoráveis ou contrários a Lula.

Atraso foi "ato de planejamento"

Wagner Mesquita negou que tenha havido erros na decisão de instalar o acampamento de apoiadores de Lula num terreno nos fundos da rodoviária da cidade que pertence à União e que é vizinho a linhas férreas operadas pela concessionária Rumo. Dizendo não ter sido procurada nem por governo do Estado nem pela prefeitura de Curitiba, a empresa foi à Justiça, na terça-feira, pedir a reintegração da posse.

O juiz Friedmann Wendpap, da 1a. Vara Federal de Curitiba, determinou apenas que fossem instaladas grades de segurança separando a área que é da União e a que está concedida à Rumo. "Os acampados não deveriam ter ocupado a área que é da empresa", argumentou o secretário. A divisão entre uma e outra partes do terreno, porém, não é clara, como verificou a reportagem, que visitou o local na terça-feira pela manhã.

Mesquita também negou que o adiamento do depoimento de Lula, inicialmente previsto para o último dia 3 e determinado por Moro a pedido das autoridades de segurança, se deveu a atrasos no planejamento da estrutura para receber o ex-presidente.

"Na data previamente agendada, haveria as festividades naturais do dia do Trabalho, além de notícias que havia de manifestações por direitos trabalhistas, e a rua Dr. Faivre [em que está a sede do Incra no centro de Curitiba] já estava ocupada por movimentos sociais. Não era o momento adequado de se tratar de uma operação maior ainda. Não foi falta de planejamento, mas um ato de planejamento", falou.
 

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