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Deputado acusado pela JBS de receber propina foi assessor de Temer

O deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) em foto de 2010 - Brizza Cavalcante/Câmara dos Deputados
O deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) em foto de 2010 Imagem: Brizza Cavalcante/Câmara dos Deputados

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

17/05/2017 21h48Atualizada em 18/05/2017 11h45

O deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), acusado pela JBS de ter favorecido a empresa a pedido do presidente Michel Temer (PMDB), foi assessor especial de Temer de outubro de 2016 até março deste ano.

No dia 8 de março, Loures foi empossado como deputado federal. Ele era suplente e assumiu o lugar de Osmar Serraglio (PMDB-PR), que havia sido nomeado como ministro da Justiça. Com a ida para o Congresso, Loures passou a ter direito ao chamado foro privilegiado --ou seja, o direito de ser investigado e julgado criminalmente apenas no STF (Supremo Tribunal Federal).

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Um dia antes da posse como deputado, segundo a reportagem de "O Globo", Loures foi indicado por Temer como a pessoa a quem o empresário Joesley Batista, dono da JBS e da holding J&F, deveria recorrer para resolver um "assunto" da J&F -- na verdade, uma interferência a favor do conglomerado em troca de uma propina milionária (leia mais abaixo).

Comitê de Temer doou para campanha de Loures

Antes, entre 2011 e 2014, Loures foi chefe de relações institucionais da Vice-Presidência da República quando Temer estava no cargo.

Nas eleições de 2014, quando Loures recebeu 58.493 votos, o comitê de campanha de Temer doou R$ 200.650,30 à campanha do paranaense. Loures já havia sido deputado federal entre 2007 e 2011.

Entre 2003 e 2005, ele também foi chefe de gabinete de Roberto Requião, hoje senador, quando este foi governador do Paraná.

A família de Loures é dona da Nutrimental, empresa do ramo alimentício. Seu pai, Rodrigo da Costa Rocha Loures, chegou a ser cotado para dirigir a hidrelétrica de Itaipu em 2016. Ele é um dos vice-presidentes da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Deputado teria resolvido "assunto" de empresário

Segundo reportagem do jornal "O Globo" divulgada nesta quarta-feira (17), o dono da JBS, Joesley Batista, afirmou à PGR (Procuradoria-Geral da República) que Temer indicou Loures para resolver "um assunto" da J&F, a holding que controla a JBS. Depois, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil mandados pelo empresário.

A "pendência" da J&F com o governo, segundo Joesley, era uma disputa relativa ao preço do gás fornecido pela Petrobras à termelétrica EPE, que pertence ao grupo. Loures teria ligado para o presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Gilvandro Araújo, para interceder pela J&F. Pelo serviço, Joesley teria oferecido a Loures uma propina de 5%, que teria sido aceita pelo deputado.

Depois, Joesley e Ricardo Saud, diretor da JBS, teriam acordado com Loures o pagamento de uma propina de R$ 500 mil semanais por 20 anos --o que totalizaria quase meio bilhão de reais. O deputado teria dito que levaria a proposta a alguém acima dele.

Ao menos uma entrega de R$ 500 mil a Loures, feita por Saud, teria sido flagrada pela PF em São Paulo.

Joesley, Saud e mais cinco pessoas da JBS devem pagar uma multa de R$ 225 milhões, segundo "O Globo".

A assessoria do deputado Rodrigo Rocha Loures informou que ele está em Nova York, onde participou de palestras com investidores internacionais, e tem retorno programado para esta quinta (18). Segundo a nota, quando voltar, "o deputado deverá se inteirar e esclarecer os fatos divulgados".

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