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Para "provar inocência", Aécio deixa presidência do PSDB; ministros tucanos ficam no governo

6.jul.2016 - O senador Aécio Neves (PSDB-MG) participa da sessão do Senado Federal - Alan Marques/ Folhapress
6.jul.2016 - O senador Aécio Neves (PSDB-MG) participa da sessão do Senado Federal Imagem: Alan Marques/ Folhapress

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

18/05/2017 17h36Atualizada em 18/05/2017 22h34

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), afastado de sua função nesta quinta-feira pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin, anunciou na tarde desta quinta-feira (18) que está deixando o cargo de presidente do PSDB. O mineiro alegou que vai se dedicar a provar sua inocência, após ser citado e gravado pelo empresário Joesley Batista em delação premiada feita à Procuradoria-Geral da República e homologada nesta quinta pelo STF.

“Em razão das ações promovidas no dia de hoje contra mim e minha família, quero afirmar que, a partir de agora, minha única prioridade será preparar minha defesa e provar o absurdo dessas acusações e o equívoco dessas medidas”, diz Aécio em nota oficial.

O senador informou que seu substituto será o colega de Senado Tasso Jereissati (CE), um dos sete vice-líderes do partido, que assume interinamente. A informação foi confirmada pelo líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), em entrevista coletiva no fim da tarde. Em nota, Tasso disse que os ministros tucanos permanecerão no governo.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) comandará o partido - Jefferson Rudy/Agência Senado - 15.abr.2015
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) comandará o partido
Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado - 15.abr.2015

"Mantendo sua responsabilidade com o país, que enfrenta uma crise econômica sem precedentes, o PSDB pediu aos seus quatro ministros que permaneçam em seus respectivos cargos, enquanto o partido, assim como o Brasil, aguarda a divulgação do conteúdo das gravações dos executivos da JBS", disse o novo presidente do PSDB em nota.

Mais cedo, o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Trípoli (SP), informou que a bancada pediria que os ministros tucanos deixassem seus cargos no governo federal. O PSDB conta atualmente com quatro ministros no governo: Antonio Imbassahy (Governo), Bruno Araújo (Cidades), Luislinda Valois (Direitos Humanos) e Aloysio Nunes Ferreira (Relações Internacionais).

"O Tasso vai fazer uma conversa com o Temer hoje mais tarde. Mas eu acho que sair [do governo] só porque temos esse momento de dificuldade não é uma boa providência. O PSDB não tem tradição de, por notícias ruins, abandonar a missão que está cumprindo. Vamos avaliar com mais calma e com mais prudência", declarou o líder tucano no Senado, Paulo Bauer.

A decisão de Temer de não renunciar, segundo o senador, foi de foro íntimo. "A gente não pode fazer um juízo a respeito de uma decisão pessoal. E eu acredito que ele conhece exatamente os fatos que foram apontados pela Justiça ou pelo processo de delação, e ele deve ter segurança pessoal em relação ao que de fato aconteceu", disse o tucano.

Interinidade

A princípio, Tasso presidirá o partido de forma interina. "Pode ser três, quatro, seis meses, quem sabe. É o tempo que o Aécio precisa para se defender lá, né? E se tudo der certo, o Aécio volta. Se não, a gente vai ter que tomar outra providência", declarou Paulo Bauer sobre a interinidade de Tasso.

No início da tarde, Trípoli havia informado que o deputado Carlos Sampaio (SP) fora indicado pela bancada da Casa e seria o escolhido para presidir a sigla interinamente, com a anuência da bancada do Senado e do próprio Bauer.

Após o anúncio, Sampaio lembrou que ainda precisaria ter seu nome confirmado pela Executiva do PSDB, mas a parcimônia não impediu que ele fosse congratulado por colegas no Salão Verde, na Câmara.

De manhã, Edson Fachin proibiu Aécio Neves de exercer as funções de senador. Em sua decisão, o ministro impôs duas medidas cautelares ao tucano: a proibição de contatar qualquer outro investigado ou réu no conjunto de fatos revelados na delação da JBS e a proibição de se ausentar do país, devendo entregar seu passaporte.

A Procuradoria-Geral da República também pediu a prisão do tucano, mas Fachin, responsável pela Lava Jato na Corte, negou o pedido. Ao contrário do que foi informado inicialmente, o ministro tomou uma decisão monocrática, e não levará o pedido ao plenário do Supremo.

Também pela manhã, escritórios e residências de Aécio foram alvos de uma operação da Política Federal, e sua irmã, Andrea Neves, foi presa. Ela também é acusada de pedir dinheiro para Joesley Batista, um dos donos da JBS, em nome do irmão.

Em um dos trechos da gravação feita por Joesley, Aécio pede R$ 2 milhões para contratar o criminalista Alberto Toron para defendê-lo na Lava Jato. No diálogo, o empresário pergunta como poderia fazer a entrega das malas com os valores. "Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança", propôs Joesley. O senador respondeu: "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho".

Em outra gravação, Joesley e Aécio conversam sobre tentativas de barrar a Operação Lava Jato e anistiar o caixa dois no Congresso. A transcrição do áudio foi publicada na tarde desta quinta-feira (18) pelo site Buzzfeed.

Leia abaixo, na íntegra, a nota de Aécio Neves sobre sua saída da presidência do PSDB:

Comunicado do senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB

Em razão das ações promovidas no dia de hoje contra mim e minha família, quero afirmar que, a partir de agora, minha única prioridade será preparar minha defesa e provar o absurdo dessas acusações e o equívoco dessas medidas.

Me dedicarei diuturnamente a provar a minha inocência e de meus familiares para resgatar a honra e a dignidade que construí ao longo de meus mais de trinta anos de vida dedicada à política e aos mineiros em especial.

O tempo permitirá aos brasileiros conhecer a verdade dos fatos e fazer ao final um julgamento justo.

Para isso, decidi licenciar-me hoje da Presidência do PSDB que ocupo há mais quatro anos com extrema honra e dedicação. O Brasil precisa que o PSDB continue a ser o fiador das importantes reformas que vêm mudando o país.

Depois de ouvir inúmeros companheiros e seguindo o que determina o nosso Estatuto, estou apresentando à Executiva o nome do senador Tasso Jereissati, do PSDB do Ceará, para assumir nessa interinidade a presidência do partido.

Aguardarei com firmeza e serenidade que as investigações ocorram e estou certo de que, ao final, como deve ocorrer num país onde vigora o Estado de Direito, a verdade prevalecerá e a correção de todos os meus atos e de meus familiares será reconhecida.

Senador Aécio Neves

Presidente Nacional do PSDB

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