Temer desiste de suspensão do processo e contrata perícia independente para áudios

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

  • Ueslei Marcelino/Reuters

A defesa do presidente Michel Temer (PMDB) contratou uma perícia independente sobre o áudio da conversa entre o presidente e o empresário Joesley Batista, base do pedido de inquérito contra Temer autorizado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo o advogado de defesa Gustavo Bonini Guedes, foram detectados 70 pontos de "obscuridade" no áudio. "Nossa convicção é de que o áudio é imprestável", disse Guedes.

O advogado se reuniu na tarde de hoje com o ministro do STF Edson Fachin, relator do inquérito contra Temer, para comunicar que a defesa desistiu do pedido de suspensão do processo após Fachin autorizar a realização de perícia no áudio pelo INC (Instituto Nacional de Criminalística).

"Nos sentimos atendidos com o deferimento da perícia pelo STF", disse Guedes. "O presidente quer dar essa resposta o mais rápido possível para o país", afirmou o advogado.

O perito Ricardo Molina afirmou, em entrevista coletiva convocada pela defesa de Temer, que a gravação contém uma série de falhas, como trechos descontínuos e ruídos que impedem entender o que é dito. "Em um processo normal essa gravação sequer seria aceita como prova, em função do excesso de vícios que ela tem", afirmou o perito.

Molina afirmou que não é possível comprovar a autenticidade da gravação. O perito afirmou que um dos princípios da perícia em gravações do tipo é o técnico que faz a análise partir do pressuposto de que o áudio foi adulterado e então realizar testes para tentar comprovar sua autenticidade.

"Nesse caso consigo garantir pra vocês: não é possível provar [que a gravação é autêntica]. Por isso, a prova é imprestável", disse Molina.

"A pergunta que nunca se respondeu é porque a Procuradoria [Geral da República] se apressou em tornar pública uma gravação nitidamente corrompida", afirmou o perito da defesa.

Ouça a íntegra da conversa entre Temer e Joesley

Julgamento havia sido suspenso

Em despacho publicado na tarde desta segunda-feira (22), a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, havia decidido que o pedido de suspensão de inquérito feito pelo presidente só entraria na pauta do plenário da corte após a realização de perícia no áudio da conversa com o empresário.

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No sábado, quando o ministro Edson Fachin, relator do inquérito, publicou despacho determinando a realização de perícia na gravação, o gabinete da presidente do STF informou que o colegiado deveria analisar o pedido na quarta (24).

A perícia da defesa será juntada ao inquérito contra Temer.

No seu segundo pronunciamento desde a divulgação das primeiras informações sobre a delação premiada de executivos da JBS, no sábado, o presidente Michel Temer (PMDB) atacou Joesley Batista.

O presidente chamou a gravação de "clandestina", "fraudulenta" e "manipulada".?

O áudio gravado pelo dono da JBS contém diálogo entre Temer e Batista no qual ambos falam sobre o deputado federal cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso e condenado pela Operação Lava Jato, e sobre tentativas de obstrução das investigações por parte do empresário. O diálogo ocorreu dentro do Palácio do Jaburu, residência do presidente, fora da agenda oficial, a partir das 22h32.?

"Registro que eu li hoje notícia do jornal 'Folha de São Paulo' de que perícia constatou que houve edição no áudio de minha conversa com o senhor Joesley Batista. Essa gravação clandestina foi manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos. Incluído no inquérito sem a devida e adequada averiguação, levou muitas pessoas ao engano induzido e trouxe grave crise ao Brasil", declarou Temer, no início do discurso.

A interpretação dada pela Procuradoria ao diálogo é a de que Temer concordou com a iniciativa do empresário de comprar o silêncio de Cunha. Em nota, o Palácio do Planalto alegou inocência de Temer. "A acusação não procede e o diálogo do presidente com o empresário Joesley prova isso".

Delator cometeu crime perfeito e enganou brasileiros, diz Temer

 

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