Planalto pode nomear deputado do PMDB do PR a ministério para Loures manter foro

Luciana Amaral*

Do UOL, em Brasília

  • Bruno Santos/ Folhapress

    O deputado federal afastado Rodrigo Rocha Loures

    O deputado federal afastado Rodrigo Rocha Loures

O Palácio do Planalto pode nomear um deputado federal do PMDB do Paraná para os ministérios da Transparência ou da Cultura para que o ex-assessor especial do presidente Michel Temer e suplente do ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio, Rodrigo Rocha Loures, não perca o foro privilegiado.

Essa é uma solução política encontrada após a recusa de Serraglio em assumir o Ministério da Transparência. Até o momento, Rocha Loures contava com foro privilegiado por ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados no lugar de Serraglio -- ambos são do PMDB do Paraná. Porém, com a volta de Serraglio à Casa, Rocha Loures perderia o cargo de deputado federal.

Assessores do Planalto negam que a medida esteja sendo cogitada, mas já afirmaram que o governo deve verificar a viabilidade dela com o partido e com a base aliada. Atualmente, a bancada do PMDB conta com três deputados paranaenses, além de Serraglio. São eles João Arruda, Hermes Parcianello e Sérgio Souza.

Nesta terça (30), após ser demitido da Justiça, Osmar Serraglio recusou o convite do presidente Michel Temer para assumir o Ministério da Transparência.

Em nota, Serraglio agradece a Temer e diz que procurou "dignificar" o cargo. "Agradeço o privilégio de ter sido Ministro da Justiça e Segurança Público do nosso país. Procurei dignificar a confiança que em mim depositou. Volto para a Câmara dos Deputados, onde prosseguirei meu trabalho em prol do Brasil que queremos."

Procurado pelo UOL, o gabinete de João Arruda informou que, por enquanto, ele não foi procurado pelo Planalto.

O deputado Sérgio Souza também negou que tenha sido convidado a assumir o ministério.

Logo após voltar de São Paulo, Temer seguiu para o Planalto, onde se encontrou com o líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP). Rossi teria sido o responsável por articular a ida de Serraglio para a Transparência. Segundo apurou o UOL, o líder teria assegurado ao Planalto de que estava "tudo resolvido".

No domingo (28), o Palácio do Planalto informou que faria uma troca de postos entre Serraglio e o então ministro da Transparência, Torquato Jardim. No entanto, desde então, Serraglio se manteve em silêncio e não confirmou que aceitaria a troca. Enquanto isso, Jardim já deu declarações como ministro da Justiça e viajou duas vezes com Temer.

Serraglio teria recusado o convite para a Transparência por ter reprovado a forma como as negociações foram feitas entre a bancada do PMDB e o Planalto.

A recusa ao cargo também acontece próximo ao fim das negociações para a delação premiada do ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Paraná, Daniel Gonçalves Filho, investigado pela operação Carne Fraca.

Serraglio deve se tornar um dos alvos da delação. Em conversa telefônica grampeada pela Carne Fraca, o ex-ministro se refere a Gonçalves como "grande chefe".

A pasta da Cultura está vaga desde o pedido de demissão de Roberto Freire (PPS-SP), no último dia 18.

Suspeitas sobre Rocha Loures

Rodrigo Rocha Loures é investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) após ter sido flagrado pela Polícia Federal recebendo uma mala com R$ 500 mil em um restaurante de São Paulo.

Ele foi citado na delação de empresários e executivos do frigorífico JBS, revelada em 17 de maio, como suposto intermediário de Temer para cuidar de interesses da empresa junto ao governo. Segundo depoimentos prestados ao MPF (Ministério Público Federal), a mala entregue a ele pelo delator e ex-diretor da JBS Ricardo Saud fazia parte de uma combinação de pagamentos semanais que valeria pelos próximos 20 anos.

Em troca, Rocha Loures teria intercedido pelo grupo em ações do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e disputas de preço de gás fornecido pela Petrobras à subsidiária do grupo.

Em 18 de maio, Rocha Loures foi afastado do cargo de deputado por determinação do Supremo. O salário de R$ 33,7 mil e o plano de saúde, no entanto, foram mantidos.

Especula-se que ele poderia fazer uma delação premiada com potencial de prejudicar o Planalto. (*Colaborou Janaina Garcia, de São Paulo)

Fotos mostram entrega de propina a indicados de Temer

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