Temer dá posse a Torquato Jardim como ministro da Justiça, sem presença de Serraglio

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Alan Marques/Folhapress

O presidente da República, Michel Temer, deu posse nesta quarta-feira (31) ao novo ministro da Justiça, Torquato Jardim, em cerimônia no Palácio do Planalto. Jardim era ministro da Transparência e ficará no lugar de Osmar Serraglio (PMDB), que voltará a ser deputado federal.

A mudança na pasta da Justiça foi anunciada no último domingo (28) pelo Planalto e, ao longo, dos últimos dias, criou desavenças entre aliados de Temer. A ideia do presidente era de que Jardim e Serraglio apenas trocassem de ministérios. O Planalto, inclusive, chegou a confirmar a informação, mas Serraglio recusou o convite por meio de nota enxuta à imprensa. 
 
Segundo interlocutores do ex-ministro, ele teria ficado extremamente chateado com a maneira como as negociações foram conduzidas pelo líder do PMDB na Câmara, deputado Baleia Rossi (SP), pela bancada do partido e pelo Planalto.
 
De forma a mostrar sua insatisfação, Osmar Serraglio não compareceu à solenidade de posse no Planalto e também não realizará a cerimônia de transferência de cargo, como é de praxe, no prédio da Ministério da Justiça.
 
Com o retorno de Serraglio para a Câmara, o ex-assessor especial de Temer e suplente do ex-ministro, Rodrigo Rocha Loures, perde a vaga na Casa e a prerrogativa de foro privilegiado. Loures é o ex-assessor especial de Temer que acabou flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil oriundos de propina. Ele foi afastado de suas funções por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), mas continua recebendo salário de mais de R$ 30 mil.
 
Desde a semana passada, o Planalto trabalha com a possibilidade de Rocha Loures fazer um acordo de delação premiada que possa agravar mais ainda a crise política. 
 
Por enquanto, o comando do Ministério da Transparência ficará a cargo do atual secretário-executivo, Wagner Rosário. Temer ainda avalia quem será o titular da pasta.
 
Em discurso na posse, Torquato Jardim afirmou que batalhará pela dignidade humana, questão indígena, humanização do sistema prisional e a afirmação da igualdade entre os cidadãos.
 

Trocas no Ministério da Justiça

Essa foi a terceira troca no comando do Ministério da Justiça em pouco mais de um ano de governo Temer. Quando assumiu, em maio do ano passado, após o afastamento de Dilma Roussef (PT), o presidente nomeou o então secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes.
 
Em fevereiro, depois da morte do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki, Moraes foi indicado para substituí-lo, abrindo espaço para Serraglio na Esplanada dos Ministérios.

 

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