Juiz federal nega pedido de liberdade de ex-ministro Geddel Vieira Lima

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) teve seu pedido de liberdade negado nesta quinta-feira (6) pelo juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, ao participar de audiência de custódia na 10ª Vara Federal de Brasília.

A audiência de custódia tem o objetivo de verificar se o preso sofreu algum tipo de abuso durante sua prisão. O pedido de revogação da prisão foi apresentado pela defesa de Geddel durante a audiência.

Ao juiz, Geddel negou ter atuado para atrapalhar investigações e disse sempre ter colaborado com a Justiça.

"Coopero com a Justiça, sempre cooperei", disse. "Nenhuma atitude deve ser nem de longe interpretada como embaraço à Justiça", afirmou Geddel.

Geddel foi preso nesta segunda-feira (3), pela Polícia Federal, na Bahia, Estado onde mora.

O pedido de prisão preventiva, apresentado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, acusa Geddel de atuar para atrapalhar investigações em andamento, com o objetivo de evitar que o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o corretor Lúcio Funaro firmasse acordo de delação premiada.

Na decisão que decretou a prisão de Geddel, o juiz Vallisney de Souza Oliveira afirma ser "gravíssimo" o fato de Geddel ter entrado em contato com a mulher de Funaro para sondar o interesse do corretor em firmar acordo de delação premiada. O que, segundo o juiz, "pode caracterizar um exercício de pressão sobre Lúcio Funaro e sua família", escreveu na decisão que determinou a prisão.

Hoje, na audiência, Geddel afirmou que nunca tratou desse tema em conversas com a mulher de Funaro, e que o contato telefônico não partiu dele, mas que ele teria apenas retornado uma ligação recebida da mulher de Funaro.

Segundo Geddel, a conversa tratou de amenidades, "nem tangenciando isso [a delação de Funaro]", e teria girado em torno de perguntas do tipo "como vai sua família", por exemplo.

O advogado de Geddel, Gamil Föppel, afirmou que não há prova sobre o conteúdo do diálogo entre Geddel e a mulher de Funaro e que a mulher do corretor não chegou a ser ouvida pela polícia para relatar como teria interpretado a conversa com Geddel.

"Não há qualquer elemento concreto que demonstre constrangimento feito a quem quer que seja", disse o defensor. Föppel também afirmou que Geddel não teria o que delatar, pois não cometeu crimes.

"Geddel Vieira Lima não tem o que delatar. Materialmente ele não tem o que delatar", disse o advogado.

O juiz Vallisney de Oliveira afirmou que o pedido de liberdade de Geddel poderá ser analisado posteriormente. Para isso, Oliveira determinou que a mulher de Funaro seja ouvida pela Polícia Federal e que seja periciado o celular dela que teria recebido ligações de Geddel.

A defesa do ex-ministro pediu que a prisão preventiva fosse substituída por outras medidas mais brandas, como o uso de tornozeleira eletrônica.

O juiz deu prazo de três dias úteis para que a Polícia Federal tome o depoimento da mulher de Funaro e, na sequência, 24 horas para que o Ministério Público Federal se manifeste sobre a possibilidade de substituir a prisão por outras medidas.

Investigação na Caixa

Geddel é investigado pela Operação Cui Bono?, que apura a existência de suposto esquema de corrupção na liberação de empréstimos pela Caixa. Geddel foi vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco estatal entre 2011 e 2013, no governo Dilma Rousseff (PT).

Essa investigação teve origem na análise de conversas registradas em um aparelho de telefone celular apreendido na casa do então deputado Eduardo Cunha.
Segundo o Ministério Público Federal, as mensagens indicam que Cunha e Geddel atuavam para garantir a liberação de recursos da Caixa a empresas que retribuíam com o pagamento de propina.

As primeiras informações sobre o suposto esquema criminoso foram fornecidas pelo delator Fábio Cleto, que ocupou a vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias da Caixa. Para os investigadores, Cleto foi nomeado para o cargo por indicação de Cunha.

Em depoimento à Polícia Federal Funaro afirmou que pagou cerca de R$ 20 milhões em propina a Geddel, em troca de liberação pela Caixa Econômica de créditos a empresas envolvidas no esquema de corrupção.

O juiz Vallisney de Oliveira também afirmou na ordem de prisão que, em liberdade, Geddel poderia atuar para esconder o destino de propinas recebidas no esquema de corrupção da Caixa.

"Solto, Geddel Vieira poderá escamotear/esconder esse dinheiro recebido em espécie ainda não localizado, pelas suas apontadas condutas indevidas, fazendo-se necessária também aqui a prisão cautelar para que a decisão não possa 'cair no vazio' da ineficácia quanto à reparação de dano e devolução dos valores, caso ao final haja processo e sentença eventualmente condenatória (risco à ordem pública)", escreveu o juiz.

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