Em conversa gravada, Joesley exaltou que não seria punido: "Nós não vai ser preso"

Flávio Costa

Do UOL, em São Paulo

Em conversa gravada no dia 17 de março deste ano, cujo áudio foi descoberto por peritos da PF (Polícia Federal), o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, afirmou ao executivo Ricardo Saud que eles poderiam fazer o que quisessem e não seriam presos.

"Porque no final, a realidade é essa: nós 'não vai' ser preso; nós sabemos que nós 'não vai'. Vamos fazer tudo, menos ser preso", disse Joesley, em determinado trecho da conversa com o executivo, que durou um total de quatro horas e 31 minutos. A gravação da conversa teria sido feita, supostamente, de forma acidental.

"Ricardo, nós somos... nós somos joia da coroa deles. O Marcelo [ex-procurador Miller] já descobriu e já falou para Janot: 'Janot, nós temos o cara, nós temos o pessoal que vai dar todas as provas que nós precisamos", afirmou Joesley.

Por volta das 14h deste domingo, Joesley e Saud foram à Superintendência da PF em São Paulo e se entregaram à Justiça. Eles ficarão detidos por cinco dias, por ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Edson Fachin.

Na sexta-feira (8), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia solicitado a prisão de Joesley e Saud por terem omitido informações que seriam relevantes no acordo de colaboração premiada firmado com o MPF (Ministério Público Federal). Fachin decidiu pela prisão na própria sexta, mas, como o processo corria sob sigilo, a informação só foi divulgada oficialmente neste domingo.

Nelson Antoine/AP
Joesley Batista segue para a sede da PF em São Paulo

Segundo o ministro, tanto a prisão de Joesley quanto a de Saud são necessárias por causa da "probabilidade de que os representados, uma vez em liberdade, possam interferir no ato de colheita de elementos probatórios".

"Há indícios de má-fé por parte dos colaboradores ao deixarem de narrar, no momento da celebração do acordo, que estavam sendo orientados por Marcello Miller, que ainda estava no exercício do cargo, a respeito de como proceder quando das negociações, inclusive no que diz respeito a auxílio prestado para manipular fatos e provas, filtrar informações e ajustar depoimentos", disse Fachin a respeito do pedido de Janot.

Outro lado

Ao UOL, o advogado Pierpaolo Bottini, que defende Joesley e Saud, informou que os dois irão passar a noite na carceragem da PF na capital paulista. Eles serão levados para Brasília, neste segunda-feira (11).

Por volta das 15h30, o criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, divulgou nota em que informa que também passou a integrar a equipe de defesa de Joesley e Saud junto ao STF (Supremo Tribunal Federal). No texto, ele afirma que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, agiu como "falta de lealdade".

"Entendo que os delatores ao assinarem a delação cumpriram rigorosamente tudo o que lhes era imposto", disse Kakay. "Os clientes prestaram declarações e se colocaram sempre à disposição da Justiça. Este é mais um elemento forte que levará à descrença e à falta de credibilidade do instituto da delação."

Kakay completa: "Sempre ressalto a importância deste instituto, mas é necessário que seja revisto o seu uso. A proposta de quebra unilateral, sem motivo, por parte do Estado, no caso representado pelo procurador-geral, gera uma insegurança geral para todos os delatores. Meus clientes agiram com lealdade e continuam à disposição do Poder Judiciário ressaltando a confiança no Supremo Tribunal".

Ouça a íntegra da conversa entre Batista e Saud

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