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Fachin converte prisão temporária de delatores da JBS em preventiva

11.set.2017 - O empresário Joesley Batista, sócio do grupo JBS, deixa a sede da PF (Polícia Federal) em São Paulo com um terço nas mãos - Nelson Almeida/AFP
11.set.2017 - O empresário Joesley Batista, sócio do grupo JBS, deixa a sede da PF (Polícia Federal) em São Paulo com um terço nas mãos Imagem: Nelson Almeida/AFP

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

14/09/2017 21h42Atualizada em 14/09/2017 21h58

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin decidiu nesta quinta-feira (14) converter as prisões temporárias dos delatores da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud em prisão preventiva, ou seja, que não tem prazo para terminar. A ordem de prisão temporária dos dois terminaria nesta sexta-feira (15). 

A decisão de Fachin atendeu a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que nesta quinta-feira também pediu que o ministro homologue a rescisão do acordo de colaboração dos dois delatores. Fachin deu 10 dias para que a defesa de Batista e Saud se manifeste sobre o pedido de rescisão.

A decisão de rescindir foi tomada após a PGR descobrir novas gravações e Janot determinar investigação para apurar a omissão de informações no acordo de colaboração premiada firmado por três dos sete delatores da JBS. A conclusão da Procuradoria foi que Joesley Batista e Ricardo Saud descumpriram cláusulas do acordo ao omitirem fatos criminosos relevantes que poderiam levar a investigações contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e contra o ex-procurador Marcello Miller.

Ouça a íntegra da conversa entre Joesley e Saud

UOL Notícias

A rescisão, na prática, leva à perda dos benefícios concedidos aos delatores, mas, segundo a Procuradoria, não impede o uso nas investigações das provas apresentadas na delação.

O acordo inicial da JBS previa imunidade processual aos executivos da empresa, ou seja, que eles não seria processados pelos crimes que relataram.

A Procuradoria investiga se houve atuação irregular de Marcelo Miller, ex-procurador da República, nas negociações para fechar a delação da JBS. A suspeita é de que Miller tenha auxiliado os delatores durante a negociação do acordo, quando ainda estava ligado à Procuradoria. O ex-procurador nega.

Posteriormente, Miller deixou o cargo de procurador e passou a atuar como advogado num escritório que atuou na negociação do acordo de leniência da JBS, espécie de delação premiada feita pela empresa.

Estratégia para conquistar procurador era "chamar políticos de bandidos"

UOL Notícias

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