Alvo de denúncia, Temer lança programa de R$ 3 bi, e aliados negam agenda positiva

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • MATEUS BONOMI/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO

Alvo de denúncia lida em plenário da Câmara nesta terça-feira (26), o presidente da República, Michel Temer (PMDB), lançou um programa de pelo menos R$ 3 bilhões e disse sonhar com o dia em que ninguém mais dependa do Bolsa Família. Após a cerimônia de lançamento no Palácio do Planalto, aliados negaram que a nova ação social tenha como objetivo amenizar a imagem negativa de Temer diante da denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Chamado de Progredir, o programa é voltado a famílias de baixa renda beneficiárias do Bolsa Família e a trabalhadores inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais. Ao todo, 13,5 milhões de famílias são atendidas pelo Bolsa Família por meio da transferência direta, em média, de R$ 180 por mês.

"Mas qual é o meu sonho e, naturalmente de todos os que estão aqui na frente e de todos aqui no auditório? É que daqui a, sei lá, dez, 15 anos, que seja, não vou fixar prazo, em um dado momento, nós venhamos aqui para comemorar a desnecessidade de qualquer benefício de natureza individual. Que todos estarão empregados no nosso país", declarou Temer.

O Progredir reúne várias frentes de ações para estimular que as pessoas abram o próprio negócio, se qualifiquem e não passem a depender tanto do dinheiro do Bolsa Família. Segundo o governo, serão disponibilizados R$ 3 bilhões anuais em microcrédito para pequenos negócios. A iniciativa também prevê assistência técnica, cursos profissionalizantes, ações de inclusão digital e educação financeira.

No discurso, Temer ressaltou a retomada da economia e afirmou que a prioridade do governo é cuidar da área social. Segundo ele, o país saiu da recessão e começou a responder à criação de vagas de emprego nos últimos cinco meses.

O presidente aproveitou a oportunidade para rebater críticas de que ele não conversa tanto com outros mandatários em viagens ao exterior e citou as viagens para China, Estados Unidos, Rússia e Argentina. "Fizemos inúmeras reuniões e todos eles [interlocutores] interessadíssimos em investir no país. Não há pessoa no exterior que não queira", disse.

Aliados negam agenda positiva

A expectativa, de acordo com o ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, sob o qual o Progredir ficará responsável, é emancipar 1 milhão de famílias nos próximos dois anos. "É um programa que reforça a mudança do viés no olhar sobre a redução da pobreza. [...] Não existe risco nenhum de o Bolsa Família terminar, pelo contrário. Mas, não basta transferir renda. Essa é a mensagem dessa proposta", afirmou.

Terra e o líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RR), negaram que lançamento do Progredir seja uma tentativa do governo em emplacar a chamada agenda positiva. Enquanto Temer anunciava o Progredir, a peça era lida no plenário da Câmara. Ao final da leitura das 245 páginas, o presidente será notificado no Palácio do Planalto. A tramitação então continuará na Câmara com a ida da denúncia para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

O ministro falou que o programa já estava sendo formulado há muitos meses dentro da pasta de Desenvolvimento Social e que não havia motivo para postergar o lançamento.

"Não é agenda positiva. Estamos insistindo há muito tempo para que isso acontecesse. Agora ficou pronta a construção. Não tem cabimento também adiar isso para não parecer que é uma agenda positiva. Nós pedimos ao presidente essa agenda e ele aceitou. É uma coincidência a data", afirmou.

Romero Jucá seguiu a linha de Terra e falou que a agenda representa "um ano e pouco de trabalho" de diversos ministérios, além de ser um avanço na área social.
 

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