Operação Lava Jato

Lula se diz triste com nova pena de Dirceu: "já pagou qualquer crime que tenha cometido"

Do UOL, em São Paulo

  • Marivaldo Oliveira/Código 19/Estadão Conteúdo

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento do PT na semana passada

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento do PT na semana passada

O ex-presidente Luiz Inácio da Lula afirmou ter recebido com tristeza o aumento da condenação do ex-ministro José Dirceu para 30 anos e nove meses de prisão nesta terça-feira (26), em decisão do TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, a segunda instância da Lava Jato.

Em entrevista à rádio Trianon, em São Paulo, Lula afirmou que José Dirceu já pagou por qualquer por qualquer crime que tenha cometido, se referindo ao tempo que ficou preso. Atualmente, o ex-ministro está em liberdade, mas usa tornozeleira eletrônica e está proibido de deixar o país.

A turma de desembargadores que aumentou a pena do ex-ministro é a mesma que vai decidir o recurso do ex-presidente contra a condenação, em primeira instância pelo juiz Sergio Moro, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso que ficou conhecido como o do tríplex do Guarujá (SP).

Lula não quis se aprofundar no tema. Ele alegou que o Brasil "vive uma anormalidade no comportamento de setores do Judiciário, da Polícia Federal e do Ministério Público que, induzido por setores da imprensa, fazem a condenação da pessoa sem prova."

"Eu recebo com tristeza saber que o companheiro Zé Dirceu teve a pena aumentada. Eu acho isso grave porque eu acho que o Zé Dirceu já pagou qualquer crime que ele tenha cometido. Zé Dirceu é o único que tem residência fixa. Portanto, não há nenhuma razão para a Justiça tomar a decisão que tomou", afirmou o ex-presidente.

O petista disse ainda que tem desafiado a Polícia Federal, a força-tarefa dos procuradores da Lava Jato e o juiz Moro a apresentar uma prova. Segundo ele, prova para os investigadores é "bobagem". "Eles agem com convicção". "Eles contaram uma mentira tão grande que agora não têm como sair dessa história", disse Lula.

Durante a entrevista, o petista falou mais vezes sobre a condenação e sobre as outras duas ações a que responde no Paraná, do Instituto Lula e do sítio em Atibaia (SP) --todas por acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por supostamente receber propina da empreiteira Odebrecht em troca.

"Daqui a pouco, vão começar a me investigar por viagens à África e para a América Latina. Essas mentiras estão cansando a sociedade brasileira. É crime agora viajar. Um juiz não pode dar suas decisões baseado em pesquisas de opinião pública. Ele tem que julgar as provas nos autos. Eu já apresentei as provas da minha inocência. Eles agora precisam apresentar as provas da minha culpa", afirmou Lula.

2018

Na entrevista à rádio Trianon, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, se ganhar as eleições presidenciais de 2018, vai propor uma constituinte para revogar medidas e ações implementadas pelo presidente Michel Temer (PMDB), como a PEC do teto dos gastos, que limitou investimentos por 20 anos.

"Eu estou convencido de que, se a gente ganhar as eleições, será necessária uma constituinte revogatória para fazer as mudanças que o país precisa", disse o petista. Segundo ele, cada governo deve decidir a política que vai implementar no país, e não ser atingido por ações anteriores.

Lula afirmou que durante o período de campanha eleitoral, o PT vai demonstrar minuciosamente como será o governo e o papel dos bancos e empresas públicas, como a Petrobras e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

"Na campanha teremos o programa. Cada brasileiro poderá saber o que a gente vai fazer pelo país. Na economia, o papel dos bancos públicos, o papel da Petrobras, das empresas públicas no desenvolvimento do país, e o papel do governo. Vou ser eleito para cuidar do povo", disse.

O ex-presidente fez mea culpa ao afirmar que os governos petistas erraram ao não promover a democratização dos meios de comunicação e disse que vai propor a medida em um possível novo governo. Segundo ele, é "impossível" nove famílias cuidar da comunicação no Brasil. "Determinados setores da imprensa agem como partidos políticos. Quero fazer como na Inglaterra, na Alemanha, nos EUA. Que tenham posição política no editorial, mas que não mintam nas notícias", disse.

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