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"Ninguém vai me intimidar", diz Jucá após filhos serem alvos de operação da PF

Dois filhos e duas enteadas de Jucá são alvos de operação da PF - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Dois filhos e duas enteadas de Jucá são alvos de operação da PF Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

28/09/2017 10h45Atualizada em 28/09/2017 12h11

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou nesta quinta-feira (28) que ninguém vai intimidá-lo. A declaração foi dada na chegada do parlamentar à Casa ao ser questionado por jornalistas sobre a operação da Polícia Federal que tem como alvo seus filhos e enteadas. Segundo o advogado de Jucá, Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, o senador não foi alvo da PF.

“Já, já [vou falar]. Cada coisa é uma coisa. Não [é uma afronta, a operação]. Só quero dizer o seguinte: vou falar daqui a pouco. Mas eu quero deixar algo claro: ninguém vai me intimidar. A partir daí, deduzam. Deduzam, é o que eu tenho a dizer", afirmou.

Em nota enviada após sua declaração, Jucá disse repudiar “mais um espalhafatoso capítulo de um desmando que se desenrola nos últimos anos, desta vez contra minha família”. “Como pai de família, carrego uma justa indignação com os métodos e a falta de razoabilidade. Como senador da República, que respeita o equilíbrio entre os poderes e o sagrado direito de defesa, me obrigo a, novamente, alertar sobre os excessos e a midiatização”.

O senador diz que nem ele nem sua família temem investigações. “Investigações contra mim já duram mais de 14 anos e não exibiram sequer uma franja de prova. Todos os meus sigilos, bancário, fiscal e contábil já foram quebrados e nenhuma prova. Só conjecturas”.

Para Jucá, a operação de hoje seria “uma retaliação de uma juíza federal”. “Tornarei públicos todos os documentos que demonstrarão a inépcia da operação de hoje”.

Operação

A operação pela qual os filhos de Jucá são investigados é a Anel de Giges, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira. A ação tem como objetivo investigar uma organização criminosa por peculato, lavagem de dinheiro e desvios de verbas públicas.

São alvos de busca e apreensão e condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a ir prestar esclarecimento) os filhos de Jucá: Rodrigo de Holanda Menezes Jucá e Marina de Holanda Menezes Jucá.

Também são alvos as filhas da prefeita de Boa Vista e ex-mulher de Jucá, Teresa Surita (PMDB), Luciana Surita da Motta Macedo e Ana Paula Surita Motta Macedo.

Ao todo, segundo a PF, foram desviados pelo menos R$ 32 milhões dos cofres públicos por meio do superfaturamento da compra da “Fazenda Recreio” e na construção do empreendimento Vila Jardim, do programa Minha Casa Minha Vida, em Boa Vista, capital de Roraima.

A fiscalização e aprovação do Vila Jardim pela Caixa Econômica Federal também estão sendo investigadas.

A PF cumpre 17 mandados judiciais expedidos pela Justiça Federal de Roraima, sendo nove mandados de busca e apreensão e oito mandados de condução coercitiva em Boa Vista, Brasília (DF) e Belo Horizonte (MG).

Os investigados estão sendo levados coercitivamente à PF para serem interrogados e indiciados pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, informou a corporação. As penas podem chegar a até 30 anos de reclusão.

A PF explicou que o nome da operação foi inspirado no Anel de Giges da obre “A República”, de Platão, no qual o portador do objeto pode ficar invisível e cometer crimes sem consequências.

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