Renan pede que senador hospitalizado faça "esforço" para votar; Caiado vai de cadeira de rodas

Gustavo Maia

Do UOL, em São Paulo

Diante da necessidade de que 41 senadores votassem para derrubar as medidas impostas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) fez um apelo inusitado durante a sessão plenária desta terça-feira (17).

"É fundamental nós fazermos um apelo ao senador Paulo Bauer para que ele faça um esforço a mais e venha", disse Calheiros, em referência ao líder do PSDB no Senado, que deu entrada em um hospital de Brasília no início da tarde com dor no tórax e foi inicialmente diagnosticado com com crise hipertensiva.

Pouco antes, o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), havia informado ao plenário que Bauer passou mal, foi no hospital, mas estava a caminho do Senado. A votação, nominal e aberta, foi iniciada às 18h56. Segundo Eunício, o tucano pediu que ele aguardasse a sua chegada para encerrar o processo.

Bauer entrou no plenário quase meia hora depois do início da votação e deu um dos 44 votos pró-Aécio. Nota divulgada pelo Instituto de Cardiologia do Distrito Federal do fim da tarde informava que o senador permaneceria internado na unidade para observação e que ele passou por uma cirurgia cardíaca há dois anos.

O líder do PSDB foi o autor do requerimento para que a análise do ofício do STF que comunicou da decisão da 1ª Turma fosse votada com urgência, aprovado no fim do mês passado.

Marcos Oliveira/Agência Senado
De cadeira de rodas, senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) comparece ao Senado para votar sobre o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG)

Em tom bem-humorado, Renan lembrou outros "sacrifícios" de senadores. "O senador João Alberto [Souza] (PMDB-AL) cancelou uma cirurgia e o senador Romero Jucá teve arrancada metade das tripas e está aqui firme", declarou, arrancando gargalhadas. "Isso é o linguajar nordestino", ponderou Eunício, rindo.

Jucá foi submetido a uma cirurgia na última quarta (11) após uma crise de diverticulite aguda --inflamação ou infecção no intestino. Ele saiu do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, na segunda (15), e seu retorno para o Senado estava previsto apenas para amanhã (18).

Outro senador que está de licença médica e compareceu à votação foi Ronaldo Caiado (DEM-GO), que é líder do partido no Senado. Ele chegou ao plenário em uma cadeira de rodas e postou seu voto, contrário a Aécio, nas redes sociais.

Em nota divulgada ontem (16), sua assessoria de imprensa informou que ele havia sofrido uma fratura no ombro após cair de uma mula em sua fazenda em Goiás na sexta (13) e ficaria em "repouso absoluto, usando analgésicos e anti-inflamatórios" durante uma semana.

Caiado diz que contrariou médico para votar contra Aécio

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