Após ficar em silêncio, Bendine pede e será novamente interrogado por Moro
Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, pediu e será interrogado novamente em processo da Operação Lava Jato sob a acusação de ter recebido uma propina de R$ 3 milhões da Odebrecht. A audiência foi marcada pelo juiz Sergio Moro para o dia 16 de janeiro.
No primeiro interrogatório, em novembro, Bendine optou por ficar em silêncio. A decisão, naquela época, veio logo após a audiência do publicitário André Gustavo Vieira da Silva, em que ele disse ter repassado R$ 950 mil ao ex-presidente da Petrobras. No dia seguinte, a defesa de André Gustavo informou que estava negociando um acordo de delação premiada.
O depoimento de André Gustavo foi citado por Alberto Toron, advogado de Bendine, como um dos motivos para ter orientado seu cliente a não falar. O ex-presidente da Petrobras se limitou a confirmar que não responderia a nenhuma pergunta e afirmou estar sendo vítima de um complô.
"Meritíssimo, eu estava ansioso, depois desse pesadelo de quase sete meses, de ter a oportunidade de pela primeira vez me manifestar. Entretanto, eu estou percebendo que estou sendo vítima de um grande complô, uma série de mentiras e de pessoas que criam mentiras para comprar a liberdade", disse Bendine a Moro em novembro.
O ex-presidente da Petrobras disse então que preferia "manter sua verdade" e "usar a lei do silêncio", mesmo que pudesse "continuar conversas com o Ministério Público ou com a Polícia Federal", mas que não iria se pronunciar no processo em questão.
Na decisão de hoje, Moro disse que a aparente confissão de André Gustavo "não representa violação da ampla defesa e não era justificativa para postergação do interrogatório."
"Apesar disso, considerando que Aldemir Bendine exerceu no primeiro interrogatório o direito ao silêncio e agora afirma que pretende não exercê-lo, resolvo excepcionalmente conceder, diante do requerimento e em prestígio à autodefesa, nova oportunidade a ele para ser ouvido", escreveu o juiz.
Entenda o caso
As investigações da PF apontam que Bendine e pessoas ligadas a ele teriam solicitado vantagem indevida, em razão dos cargos exercidos, para que a Odebrecht não viesse a ser prejudicada em futuras contratações da Petrobras. Em troca, o grupo empresarial teria efetuado o pagamento de ao menos R$ 3 milhões, em espécie. Ainda de acordo com a PF, os pagamentos só foram interrompidos depois da prisão de Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo Odebrecht, em junho de 2015.
Bendine esteve à frente do Banco do Brasil entre abril de 2009 e fevereiro de 2015, quando deixou o banco para assumir a presidência da Petrobras. O executivo renunciou ao cargo de presidente-executivo da Petrobras em carta enviada ao Conselho de Administração em maio de 2016.
Segundo o MPF-PR, há evidências indicando que um pedido de propina no valor de R$ 17 milhões foi feito por Bendine na época em que era presidente do Banco do Brasil para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht Agroindustrial.
Além disso, há provas apontando que, na véspera de assumir a presidência da Petrobras, Bendine voltou a solicitar propina a executivos da Odebrecht para que a empresa não fosse prejudicada em contratos com a petroleira. Delatores indicam que, desta vez, a Odebrecht aceitou pagar a propina de R$ 3 milhões, com a atuação do doleiro Álvaro Novis.
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