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Temer cancela ida à convenção nacional do PMDB por excesso de compromissos

Peemedebistas assistem a vídeo sobre histórico do partido durante convenção nacional do partido, em Brasília - Gustavo Maia/UOL
Peemedebistas assistem a vídeo sobre histórico do partido durante convenção nacional do partido, em Brasília Imagem: Gustavo Maia/UOL

Luciana Amaral e Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

19/12/2017 10h13Atualizada em 19/12/2017 12h55

O presidente da República, Michel Temer, cancelou nesta terça-feira (19), de última hora, sua participação na Convenção Nacional Extraordinária do PMDB, do qual é presidente licenciado. A chegada do presidente ao evento era esperada para as 9h30.

Segundo a Presidência, Michel Temer permaneceu nesta manhã no Palácio do Jaburu, residência do presidente, e cancelou o compromisso por já estar com a agenda do dia muito cheia. Na avaliação de um assessor, a ausência do presidente não afetará as atividades da convenção nem impedirá a discussão do legado do governo do PMDB no evento.

Diante de uma plateia esvaziada, a presença de Temer chegou a ser anunciada no discurso de abertura do evento pelo presidente nacional do PMDB, o senador Romero Jucá (RR), por volta das 9h40. No palco, Jucá afirmou que voltaria ao lado do mandatário para dar continuidade à convenção.

Toda a equipe de segurança e assessoria da Presidência da República estava no local desde cedo.

No retorno ao palco, às 10h20, Jucá registrou a "impossibilidade" da presença de Temer, sem dar detalhes sobre os motivos da ausência. Em seguida, elogiou o aliado, destacando o pulso firme do presidente "no país e no PMDB".

Por enquanto, informou a Presidência, os demais compromissos públicos do presidente estão mantidos. Temer deve participar às 11h do Balanço Anual do Combate ao Crime Organizado promovido pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

Mais tarde, às 13h40, ele deve encerrar o evento realizado por um jornal de Brasília. No final da tarde, às 17h30, está prevista a cerimônia de entrega da Ordem ao Mérito Cultural no Palácio do Planalto.

Na segunda (18), Temer cancelou uma viagem que faria nesta quarta (20) a Maceió para a entrega de unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. Segundo o Planalto, o cancelamento se deu devido a recomendações médicas após cirurgias urológicas e cardíaca. Na semana passada, a Presidência teve de adiar uma viagem de Temer ao sudeste asiático na primeira quinzena de janeiro.

Evento pretende mudar nome do partido

Durante o discurso aos correligionários, Jucá destacou que o PMDB garantiu a governabilidade nos governos dos ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016).

Ele anunciou ainda como metas do partido a inserção da juventude e das mulheres e a criação de movimentos internos como o de "desenvolvimento evangélico". "Vamos buscar a filiação de milhares e milhares de brasileiros", declarou Jucá.

Na convenção, o PMDB pretende aprovar a mudança de nome para MDB (Movimento Democrático Brasileiro). A alteração ainda precisa ser validada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que registra os partidos políticos no Brasil. O procedimento, no entanto, é considerado protocolar.

Em 2017, outras duas legendas mudaram de nome: PTN virou Podemos, e PTdoB virou Avante.

Jucá manifestou a intenção de transformar "o novo MDB" em uma "força política em prol da sociedade brasileira". Em agosto, a Comissão Executiva Nacional do partido já havia enviado ao tribunal um ofício solicitando a retirada do "P" de PMDB.

Na época, Jucá afirmou que o objetivo da alteração é resgatar a memória histórica do PMDB e retirar "o último resquício da ditadura" de dentro do partido.

Entre 1966 e 1979, durante o regime militar, o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) era o único partido nacional de oposição ao do governo (Arena) dentro do sistema do bipartidarismo instaurado no país após a edição do Ato Institucional nº 2, de 1965 --que extinguiu os partidos existentes.

A convenção foi inicialmente convocada para 27 de setembro, mas foi adiada porque o partido estava às voltas com a segunda denúncia oferecida contra o presidente Michel Temer, posteriormente rejeitada pela Câmara.

O estatuto não será alterado, mas discutido. Jucá anunciou que o partido vai apresentar, no final de março do ano que vem – quando a legenda realizar sua convenção nacional ordinária – a nova estrutura de organização partidária, depois de discussão entre os diretórios estaduais.

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