Operação Lava Jato

Segovia diz que Moro liberou acesso da PF ao sistema de propina da Odebrecht

Giselle Hishida

Colaboração para o UOL, em Curitiba

  • Mateus Bonomia/Estadão Conteúdo

    24.nov.2017 - O novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Queiroz Segóvia, em cerimônia de sua posse

    24.nov.2017 - O novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Queiroz Segóvia, em cerimônia de sua posse

O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Fernando Segovia, afirmou nesta quinta-feira (21) que o juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância no Paraná, se comprometeu a compartilhar com a Polícia o acesso ao sistema Drousys, utilizado pela Odebrecht para gerenciar o pagamento de propinas da empreiteira.

A declaração de Segovia foi dada nesta tarde durante o evento de posse do novo diretor da PF no Paraná, Maurício Leite Valeixo, que substitui Rosalvo Ferreira Franco. O ex-diretor foi exonerado hoje, após mais de 30 anos na Polícia e quatro à frente da corporação paranaense. Ele foi aplaudido de pé por um minuto por integrantes da cúpula da PF e de várias instituições estaduais.

O juiz Sergio Moro também participou da solenidade, mas não conversou com a imprensa.

"Agora teremos acesso ao sistema de informações financeiras que a Odebrecht mantinha e ao qual teremos pleno acesso para saber essas informações, e poderemos fazer a análise desses dados dos quais a gente extrairá material para os inquéritos em andamento no estado", disse Segovia sobre o Drousys.

Segundo ele, é uma decisão do juiz Sergio Moro com o Ministério Público Federal e a investigada Odebrecht. "Já recebemos o sistema e já começamos a analisar esses dados", afirmou Segovia.

Em outubro, a PF já tinha sido convocada por Moro a realizar uma perícia no sistema para encontrar registros de supostos pagamentos de vantagem indevida ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é alvo de três ações da Lava Jato em Curitiba – em uma delas, ele foi condenado a 9 anos e meio de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no chamado "caso do tríplex no Guarujá (SP)".

Agora, porém, segundo Segovia, o juiz federal vai permitir que a Polícia tenha acesso integral aos arquivos do sistema, que inicialmente estava armazenado em servidores na Suíça e na Suécia e que contêm possíveis dados de propina a diversos políticos e empresários.

Mais cedo, o juiz e o chefe da PF já haviam se encontrado de maneira reservada no gabinete de Moro. No entanto, Segovia afirmou que o acerto sobre o acesso ao Drousys não foi feito hoje, mas sim anteriormente, em data não especificada por ele.

Aumento de efetivo

À tarde, tal como já havia feito após o encontro com Moro pela manhã, Fernando Segovia repetiu que prometeu ao juiz e ao novo diretor da PF no Paraná um aumento no efetivo destinado à operação Lava Jato no Estado. Atualmente, segundo a assessoria de imprensa, a equipe conta com 36 integrantes, entre investigadores, delegados e peritos.

O diretor da PF, porém, não revelou qual será o novo número de componentes da operação. Segundo a assessoria, o ideal seria aumentar o efetivo para 50 integrantes.

Ainda de acordo com a assessoria da PF no Estado, esse incremento não será feito por meio de contratações e concursos, mas sim por remanejamento de efetivo. Ele disse que poderão vir oficiais de outros Estados e integrantes de outras operações da PF no Paraná, como a Carne Fraca.

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