"Jamais defenderíamos tortura", diz líder de ala que deixou PSL após chegada de Bolsonaro

Leonardo Martins

Do UOL, em São Paulo

  • Paulo Lopes/Futura Press/Estadão Conteúdo

    27.nov.2017 - O deputado Jair Bolsonaro participa de evento organizado pela revista Veja, em São Paulo

    27.nov.2017 - O deputado Jair Bolsonaro participa de evento organizado pela revista Veja, em São Paulo

"É com muito orgulho que o PSL recebe o deputado Jair Bolsonaro e sua pré-candidatura à Presidência da República". Bastou o termo de compromisso do PSL (Partido Social Liberal) com Bolsonaro ser anunciado para que membros de uma ala do partido, o Livres, divulgassem sua saída da legenda.

Movimento liberal que prega a renovação política e existe há dois anos dentro do PSL, o Livres havia conquistado 12 diretórios e almejava até uma mudança de nome do partido. No entanto, logo que tiveram início os rumores sobre a migração de Bolsonaro para o PSL, os dissidentes deixaram claro não compactuar com as ideias do deputado. Sacramentada a união entre pré-candidato e partido, a ala desembarcou.

Na avaliação de Paulo Gontijo, presidente interino do Livres, o deputado Luciano Bivar, presidente do PSL e autor do convite a Bolsonaro, fez um bom negócio ao trazer para o partido o candidato que aparece em segundo lugar nas principais pesquisas de intenção de voto para a eleição de 2018. Porém, ainda segundo o líder dissidente, a sigla abriu mão de ser a primeira a tentar renovar a política brasileira.

Em entrevista ao UOL, Gontijo justificou o desembarque do movimento por dois pontos: a negociação com Bolsonaro "pelas costas" do Livres e a incompatibilidade ideológica com o deputado.

Divulgação/Assessoria
Paulo Gontijo, presidente interino do Livres

"Primeiro que a negociação foi feita quebrando um acordo anterior e sem a participação de filiados. A outra discordância é ideológica. A gente não acha que o Bolsonaro defende pautas liberais. A gente defende o Estado de Direito e os direitos civis, jamais defenderíamos tortura ou terrorismo", disse o presidente do movimento, citando discursos do deputado em apoio ao período da ditadura militar.

O empresário disse que após a saída do Livres do PSL, recebeu ligações "positivas" de outros partidos políticos e ouviu promessas de novas filiações ao movimento. Todavia, também disse ter sofrido ataques de seguidores de Jair Bolsonaro nas redes sociais.

"Eu avalio de forma positiva os reflexos da nossa ação. Recebemos muita adesão positiva de partidos que concordam e discordam ideologicamente do Livres, mas que se afinaram pela coerência", contou.

"Nas redes sociais, a gente sempre sofreu ataques de ambos os lados, e os seguidores do Bolsonaro fizeram comentários nas páginas das lideranças do Livres, inclusive na minha. Eram comentários triunfalistas do tipo 'perderam o partido'. Não eram bem comentários, eram 'berros' de raiva", disse.

Do zero

A partir de agora, afirma Gontijo, os desafios imediatos do Livres são alocar os candidatos do movimento em algum partido político e definir os cargos aos quais irão concorrer. Ainda segundo ele, "o foco é principalmente o legislativo, deputados federais e estaduais".

O Livres teria sido sondado por diversos partidos como o Novo, PSDB (Partido da Social Democracia), PPS (Partido Popular Socialista), Podemos, Rede e Patriota. Sobre a nova casa, o presidente interino afirma não ter a resposta antes de essa escolha passar pelo crivo do movimento.

"Estamos no momento de escutar, não tenho nada decidido, divulgaremos na semana que vem após escutar a militância", afirmou. 

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