Segovia se compromete com Barroso a não se manifestar sobre inquérito contra Temer

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

  • Eraldo Peres/AP Photo

    24.nov.2017 - Fernando Segovia, diretor-geral da PF (Polícia Federal)

    24.nov.2017 - Fernando Segovia, diretor-geral da PF (Polícia Federal)

Em reunião nesta segunda-feira (19) no STF (Supremo Tribunal Federal), o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, se comprometeu com o ministro Luís Roberto Barroso a não fazer mais qualquer manifestação pública sobre as investigações contra o presidente Michel Temer (MDB).

Ele foi intimado por Barroso a prestar explicações sobre as declarações dadas em entrevista à agência de notícias Reuters, no último dia 9, em que disse não haver indício de crime no inquérito que apura se Temer favoreceu empresas no porto de Santos (SP) por meio de um decreto em troca de propinas.

Na entrevista, o diretor-geral indicou ainda que a investigação pode ser arquivada em pouco tempo. O inquérito está sob responsabilidade de Barroso no Supremo.

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Em despacho divulgado hoje à noite, poucas horas após o encontro de aproximadamente 20 minutos, Barroso disse que Segovia afirmou que suas "declarações foram distorcidas e mal interpretadas".

O diretor-geral afirmou ainda que "em momento algum pretendeu interferir no andamento do inquérito, antecipar conclusões ou induzir o arquivamento, e que não teve a intenção de ameaçar com sanções o delegado encarregado, tendo também aqui sido mal interpretado".

Na audiência, Segovia entregou uma manifestação por escrito a Barroso, que determinou a juntada do ofício aos autos e o encaminhamento ao Ministério Público Federal.

Ao intimar o diretor-geral da PF, Barroso determinou que ele confirmasse as declarações que foram publicadas, prestasses "os esclarecimentos que lhe pareçam próprios" e "se abstenha de novas manifestações a respeito".

Para o ministro, a fala do diretor "é manifestamente imprópria e pode, em tese, caracterizar infração administrativa e até mesmo penal". Ele afirmou que o delegado Cleyber Lopes, responsável pelo inquérito, deve ter "autonomia para desenvolver o seu trabalho com isenção e livre de pressões" e ressaltou que este ainda não apresentou um relatório final.

Na última quarta (14), Segovia fez um "mea culpa" sobre as declarações ao se reunir com a diretoria da PF e representantes de entidades de classes da corporação, como a Fenadepol (Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal), ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) e a Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais).

Segundo presentes às reuniões, o objetivo de Segovia foi reafirmar que não houve nem haverá interferência na equipe responsável pela investigação do porto de Santos e admitir que ele se expressou mal na entrevista, mas também foi mal interpretado.

O diretor da ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal), Edvandir Félix de Paiva, falou que Segovia está "abalado" e "abatido" e quis esclarecer o que aconteceu. No entanto, afirmou Paiva, a crise provocada ainda é muito grande e todos estão preocupados em manter a credibilidade da Polícia Federal.

As entidades pediram que Segovia falasse menos na mídia e cuidasse da imagem. A percepção é que ele vem se expondo a situações desnecessárias. Na entrevista à Reuters, por exemplo, as federações entendem que houve uma série de equívocos na fala do diretor-geral e que, como gestor, ele não poderia adentrar questões relacionadas a investigações.

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