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Cabral ficou 'muito assustado' após doleiros devolverem US$ 100 mi mantidos no exterior, diz delator

19.jan.2018 - Sérgio Cabral foi algemado durante transferência para presídio do Paraná - Giuliano Gomes/PR Press/Estadão Conteúdo
19.jan.2018 - Sérgio Cabral foi algemado durante transferência para presídio do Paraná Imagem: Giuliano Gomes/PR Press/Estadão Conteúdo

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

27/02/2018 16h02

O economista Carlos Miranda, apontado como principal operador financeiro do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), afirmou nesta terça-feira (27) em depoimento à 7ª Vara Criminal Federal que Cabral ficou “muito assustado” depois que os doleiros Renato e Marcelo Chebar devolveram à Justiça cerca de US$ 100 milhões que mantinham no exterior em nome do ex-governador. Cabral sempre negou que o dinheiro pertencesse a ele, mas, segundo os doleiros e o próprio Miranda, os recursos eram do ex-governador fluminense.

"Ele [Cabral] ficou muito assustado [com a devolução de US$ 100 milhões]. Acredito que seja isso [não imaginou que ia tão longe]. Acho que, em nenhum momento, realizou que a situação era tão séria", afirmou em resposta ao juiz federal Marcelo Bretas.

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Miranda, que se tornou delator na Lava Jato no Rio no ano passado, também reafirmou ter gerenciado o suposto esquema de recebimento de propinas comandado pelo emedebista. Ele disse “não havia para onde correr” depois que a força-tarefa da Lava Jato deu início à Operação Eficiência, mesmo nome da conta que o ex-governador mantinha no exterior.

“Vi que a situação não tinha para onde correr a partir do nome da operação… Eficiência era a conta dele [Cabral] no exterior, vi que a situação era a pior possível”, afirmou a Bretas. “Perdeu mesmo?”, retrucou Bretas, ao que Miranda concordou.

Essa é a primeira audiência da Lava Jato no Rio desde que o ex-governador foi transferido para Curitiba sob suspeita de regalias nas prisões fluminenses. Nesta terça, além de Cabral, foram ouvidos os irmãos Renato Chebar e Marcelo Chebar, doleiros do ex-governador; o ex-secretário de Governo Wilson Carlos; e o também operador Sérgio de Castro Oliveira, o "Serjão".

No início do mês, Marcelo Bretas aceitou a denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-governador do Rio, o empresário Eike Batista, e outras sete pessoas investigadas em um desdobramento da Operação Eficiência. Cabral é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

De acordo com o Ministério Público Federal, Eike fez ao menos dois pagamentos ao ex-governador --um de US$ 16,5 milhões, depositados no exterior, e outro de R$ 1 milhão por meio do escritório de advocacia da ex-primeira-dama Adriana Ancelmo.

Questionado por Bretas nesta terça sobre o que aconteceria com o dinheiro caso ele morresse, o doleiro Renato Chebar disse que fazia “parte do risco” de esconder valores no exterior. “Ele confiava. Na época tinha meu irmão, meu pai, faz parte do risco. Acho que ele não tinha essa preocupação.”

O ex-secretário de Governo de Cabral Wilson Carlos informou que não iria responder aos questionamentos de Bretas por orientação de sua defesa.

O advogado de Cabral, Rodrigo Roca, ainda não se manifestou sobre as declarações de Carlos Miranda durante os depoimentos de hoje.

Preso desde novembro de 2016 e condenado a 87 anos de prisão, acusado de comandar um esquema bilionário de propina, Cabral é réu em 21 processos na Justiça Federal.

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