Temer diz que suspeita de lavagem é "disparate" e que investigação da PF é perseguição criminosa

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

Em pronunciamento no Palácio do Planalto nesta sexta-feira (27), o presidente Michel Temer (MDB) afirmou que a investigação da Polícia Federal contra ele é uma "perseguição criminosa" e que a suspeita de que lavou dinheiro por meio de imóveis é um "disparate". Segundo Temer, ele virou alvo de mentiras que atingem sua honra e de sua família ao mesmo tempo em que "pessoas de má-fé" tentam "desmoralizar" a figura do presidente da República. 

Em discurso de 14 minutos, Temer afirmou sofrer de uma "perseguição criminosa disfarçada de investigação". Neste momento, passou a bater por diversas vezes com o punho cerrado no púlpito em que estava.

"Venho aqui mais uma vez naturalmente para protestar contra mentiras que são lançadas contra minha honra. Não se tratam até de mentiras associadas à minha posição funcional, é contra minha honra e, pior ainda, mentiras que atingem minha família e meu filho que tem hoje nove anos de idade. Eu trabalho há quase 60 anos", declarou.

"Só um irresponsável e mal-intencionado ousaria tentar me incriminar, minha família, minha filha, meu filho de nove anos de idade, como lavadores de dinheiro. Dizer que lavei dinheiro numa casa alugada. Dizer que gastei R$ 2 milhões. [...] Que mundo em que estamos? Digo aos senhores que é revoltante, é um disparate", afirmou.

Em seguida, ele enumerou os empregos que teve, como advogado, professor universitário, procurador do estado de São Paulo e vice-presidente, entre outros, para justificar que os montantes envolvidos nas transações investigadas são compatíveis com seu rendimento acumulado. Temer afirmou ainda que "qualquer professor de matemática" consegue concluir que ele teria recursos para comprar os imóveis que possui.

Nesta sexta, o jornal Folha de S. Paulo publicou reportagem mostrando que a investigação da Polícia Federal suspeita que Temer lavou propina em imóveis da família. O caso é referente ao inquérito dos portos, em que o presidente é suspeito de ter beneficiado empresas do setor portuário por meio da edição de um decreto em troca de propina.

Segundo o jornal, Temer teria lavado dinheiro ilegal por meio de aquisições e reformas em residências de familiares por meio de dois amigos: o coronel aposentado da Polícia Militar João Baptista de Lima Filho e José Yunes, ex-assessor especial dele na Presidência que pediu demissão em dezembro de 2016 após citado em delação.

De acordo com o presidente, todos os salários, rendimentos e aplicações estão dentro da lei e foram declarados nos Impostos de Renda. Em seguida, criticou indiretamente eventuais candidatos à Presidência da República, como Lula (PT) e Joaquim Barbosa (PSB), ao dizer que ele não tem casa de praia, de campo nem apartamento em Miami, nos Estados Unidos.

O presidente também criticou o vazamento de informações sobre o inquérito do qual é alvo. Apesar de ressaltar a liberdade de imprensa, Temer reclamou que quando sua defesa tenta obter acesso aos documentos da investigação, os pedidos são negados pelo fato de o processo estar em sigilo. Ele afirmou que vai sugerir ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, que investigue o vazamento.

Não vão conseguir derrubar o governo, diz Temer

Michel Temer ainda relembrou discurso feito por ele há quase um ano, em que disse que não renunciaria após a revelação do conteúdo da delação premiada de executivos da JBS. Hoje, ele ressaltou como ainda é presidente da República e disse que, desde então, o governo não parou de trabalhar.

"Tanto se pensa ilusoriamente que vão derrubar [o governo]. Não irão conseguir. [...] Se pensam que atacarão a minha honra, da minha família, que vão ficar impunes, não ficarão sem resposta, como a que estou dando agora. [...] Sei me defender, especialmente defender a minha família, meus filhos. Eu não posso sair da Presidência para carregar essa pecha irresponsável que tentam imputar-me a todo momento. Que as pessoas de má-fé estão manipulando informações, fazendo ilações", disse.

Nesta quinta (26), a Polícia Federal pediu a prorrogação do prazo do inquérito por mais 60 dias ao STF (Supremo Tribunal Federal).Todos os envolvidos negam quaisquer irregularidades.

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